Rodada triplica valuation em 10 meses
A Crusoe, desenvolvedora de data centers que tem Meta, Microsoft e OpenAI entre seus clientes, levantou uma nova rodada de US$ 3 bilhões a um valuation de US$ 30 bilhões, segundo apuração da Bloomberg. A captação é liderada conjuntamente pela Atreides Management e pela Valor Equity Partners, com participação da Mubadala Capital, braço de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi.
O aporte chega apenas 10 meses depois de a companhia levantar US$ 1,38 bilhão a um valuation de US$ 10 bilhões, em outubro passado. Na prática, o valor de mercado atribuído à empresa triplicou em menos de um ano.
De mineração de cripto a infraestrutura de IA
Fundada em 2018 como uma operação de mineração de criptomoedas movida a gás natural de queima (flare), a Crusoe passou por uma transformação notável. Hoje é uma das principais fornecedoras de infraestrutura e nuvem de inteligência artificial, conhecida por erguer campi de data centers em escala hyperscale para clientes como Oracle e OpenAI.
O pivô acompanha a explosão de demanda por capacidade computacional para treinar e servir modelos de IA. Grandes provedores de nuvem e laboratórios de pesquisa precisam de energia e espaço para GPUs em ritmo acelerado, e a Crusoe se posicionou exatamente nesse gargalo.
Contrato bilionário e planos de IPO
Além da nova rodada, a Bloomberg noticiou que a companhia assinou recentemente um contrato de US$ 13 bilhões ao longo de cinco anos para fornecer GPUs e infraestrutura de IA à Jane Street, firma de trading quantitativo. O acordo reforça como a Crusoe deixou de ser apenas uma fornecedora de data centers para se tornar parceira estratégica de grandes operações de computação.
Segundo a Axios, a empresa também se reuniu no último mês com bancos de investimento, incluindo Goldman Sachs e Morgan Stanley, para discutir um possível IPO no curto prazo. Se confirmado, o movimento colocaria a Crusoe no mercado público em um momento de forte apetite por ativos de infraestrutura de IA.
Por que isso importa
O caso da Crusoe é um termômetro do momento vivido pela infraestrutura de inteligência artificial. O capital está migrando rapidamente de aplicações e modelos para a camada física que sustenta tudo: chips, energia e data centers. Para o mercado brasileiro, a mensagem é clara: quem controla capacidade computacional e energética ganha relevância estratégica na cadeia de IA, e a disputa por esses recursos tende a se intensificar globalmente nos próximos anos.
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