O racha dentro da base republicana
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dobrou a aposta nos data centers e na inteligência artificial. Mas a sua base — o movimento MAGA — está correndo na direção oposta. É o que mostra a análise de Molly Taft, da WIRED, sobre a crescente rejeição popular aos centros de dados nos EUA.
Uma pesquisa do New York Times apontou que mais de 60% dos americanos — incluindo 47% dos republicanos — se opõem à construção de data centers. Em agosto, o comitê senatorial republicano enviou um memorando privado às empresas de IA alertando que “campanhas ou comitês partidários não conseguem consertar a marca tóxica de todo um segmento da economia”.
O estrategista republicano Tony Fabrizio foi ainda mais direto em um memorando aos candidatos do partido: “apoio incondicional à construção de mais data centers de IA é uma posição perdedora”.
Trump no centro do impasse
O problema para o partido é que Trump ignorou os avisos. No fim de agosto, ele escreveu no Truth Social que só comunidades que quisessem ser “atrasadas e pobres” recusariam data centers. Na semana seguinte, publicou outra série de posts impulsionando os data centers de IA.
Na própria plataforma do presidente, a reação foi negativa: uma análise do New York Times sobre milhares de respostas encontrou que comentários contra data centers e contra IA — inclusive de contas MAGA ferrenhas — superaram os positivos em quatro para um.
Por que a China entra na equação
A aposta de Trump em data centers não é gratuita. Segundo Hugo Lowell, jornalista da WIRED que cobre a Casa Branca, o presidente foi convencido de que “restringir o desenvolvimento de data centers significa restringir a computação, o que significa que os EUA perdem para a China”.
O argumento da competição com a China é ecoado publicamente por aliados como o ex-czar de IA da Casa Branca, David Sacks, e o cofundador da Palantir, Joe Lonsdale. Para eles, data centers são a infraestrutura básica da corrida pela liderança em IA.
O que isso significa
O impasse expõe uma tensão que não é exclusiva dos EUA: a expansão acelerada de data centers esbarra em preocupações locais com consumo de energia, água e impacto ambiental. Ainda assim, a pesquisa do NYT mostrou que o tema ocupa posição baixa na lista de prioridades dos eleitores — e quase 20% dizem não saber qual partido lidaria melhor com a questão.
Para o Brasil, que vive um momento de expansão de data centers impulsionada por hyperscalers e pela demanda por IA, o debate americano é um termômetro. O mesmo tipo de tensão — entre atração de investimentos e impacto local — tende a se repetir por aqui à medida que a infraestrutura de IA cresce.
Enquanto isso, o estado da Virgínia — sede do “Data Center Alley”, polo global dessas instalações — assinou na sexta-feira uma ordem executiva que cria uma força-tarefa de IA e pode limitar novos data centers, segundo o The Verge. É o sinal mais recente de que a reação política está ganhando forma concreta.
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