Automação em escala industrial
A Toyota estima que expandir a automação em suas fábricas, empresas do grupo e principais fornecedores pode exigir cerca de 400 mil robôs e um gasto anual de aproximadamente 1 trilhão de ienes (US$ 6,4 bilhões) a partir de 2028. A estimativa foi discutida com investidores no início de setembro, segundo a Reuters, e a montadora ainda não confirmou se o investimento completo avançará nem por quantos anos esse nível de gasto continuaria.
O número de 400 mil inclui substituições de máquinas existentes e novas instalações, cobrindo sistemas humanoides e não humanoides — de robôs industriais e logística automatizada à futura colaboração entre humanos e robôs no chão de fábrica.
De onde vem essa experiência
A Toyota já testa robótica em vários processos. Na planta de Kamigo, uma linha de montagem de pistões que começou a operar com robôs em janeiro de 2025 passou de três operadores para automação total. O caminho até lá não foi linear: a empresa começou a introduzir robôs em sublinhas em 2008, mas depois encontrou restrições de manutenção ao expandir a produção de motores no exterior, onde faltavam trabalhadores qualificados — e chegou a reverter alguns processos para o modo manual.
IA física: o termo da vez
A Toyota usa a expressão “IA física” para descrever tecnologia que permite a robôs perceber o ambiente por sensores, aprender ou otimizar ações conforme a situação e operar com autonomia. Entre os projetos em curso estão o robô KumiPro (que identifica e manipula peças posicionadas sem precisão prévia), o ELEY (robô de aprendizado incorporado com dois braços e base omnidirecional) e o uso de aprendizado por reforço para treinar humanoides em simulação antes de transferir o comportamento para máquinas físicas — o chamado desafio Sim2Real.
O Toyota Research Institute também trabalha com a Boston Dynamics em sistemas de controle de IA para o humanoide Atlas, combinando o robô com os “Large Behavior Models” da Toyota. Em 2025, as organizações demonstraram o Atlas executando uma sequência de andar, levantar, separar e empacotar usando um único modelo de comportamento.
Para dimensão de mercado: o Japão foi o segundo maior mercado de robôs industriais do mundo em 2024, com cerca de 450,5 mil robôs em operação, segundo a Federação Internacional de Robótica. A Hyundai, controladora da Boston Dynamics, também planeja introduzir o Atlas em sua fábrica nos EUA a partir de 2028.
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