A rodada bilionária
A Atoms, empresa de robótica fundada por Travis Kalanick, captou US$ 1,7 bilhão em uma rodada de investimento liderada pela Andreessen Horowitz (a16z). Ben Horowitz, cofundador da a16z, vai integrar o conselho da empresa após o aporte.
O valor coloca a Atoms entre as startups de robótica e automação mais bem capitalizadas do mundo e sinaliza o apetite do venture capital por empresas que combinam IA com hardware no mundo físico — uma tendência que ganhou força em 2026 com o avanço dos modelos de IA para robótica.
De Cloud Kitchens a Atoms
A Atoms é essencialmente uma holding renomeada criada sobre o projeto que Kalanick vinha desenvolvendo desde que deixou o Uber em 2017. Originalmente chamada Cloud Kitchens — um negócio de cozinhas fantasmas —, a empresa passou por uma grande reestruturação em março de 2026, quando Kalanick anunciou a aquisição da Pronto, empresa de automação industrial pesada comandada por Anthony Levandowski, seu ex-colega de Uber.
Levandowski é uma figura conhecida no setor de veículos autônomos — foi o engenheiro no centro do processo judicial entre Uber e Waymo (Google) sobre roubo de segredos comerciais.
O retorno do Uber
Um detalhe simbólico da rodada: o Uber também participou do investimento, reconectando Kalanick com a empresa que ele fundou — e que o expulsou do cargo de CEO em 2017 após uma série de escândalos sobre assédio sexual, discriminação e cultura tóxica no ambiente de trabalho.
Kalanick também manifestou interesse em expandir para mineração, indo além do que a Pronto já faz para veículos autônomos nesse setor. No ano passado, circulou a informação de que ele estava interessado em comprar a divisão americana da empresa chinesa de veículos autônomos Pony AI, com apoio do Uber — negociação que, segundo o The Information, foi encerrada em março.
O contexto do mercado
O investimento bilionário na Atoms reflete uma tendência mais ampla: a convergência entre IA e robótica está atraindo capital em escala sem precedentes. Empresas como Figure AI, Physical Intelligence e Skild AI também captaram centenas de milhões de dólares nos últimos meses, todas apostando que os avanços em modelos de linguagem e visão computacional vão finalmente destravar a robótica de propósito geral — um sonho que a indústria persegue há décadas.
Para o ecossistema brasileiro, o movimento sinaliza que a próxima grande onda de investimento em IA não está apenas no software, mas na interseção entre IA e o mundo físico — um espaço onde o Brasil, com sua base industrial e agrícola, pode ter oportunidades estratégicas.
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