Richard Socher é uma das figuras mais conhecidas do processamento de linguagem natural — e agora lidera uma das apostas mais ambiciosas do setor. Em entrevista ao podcast Latent Space, o fundador da You.com e da nova Recursive detalhou sua visão de uma “Máquina de Eureka”: uma superinteligência capaz de melhorar o próprio processo de invenção, acelerar a pesquisa em IA e, no longo prazo, atacar grandes problemas de ciência, energia e materiais.
Da You.com à Recursive, já avaliada em US$ 5 bilhões
Socher descreve a linguagem como “a manifestação mais interessante da inteligência humana”. Na You.com, a empresa acabou deixando de empurrar a fronteira da IA para se concentrar em entregar boas ferramentas de busca, APIs e respostas sobre a web. O movimento natural foi criar a Recursive — focada em Inteligência Recursiva (RSI), o que ele chama de “IA para a pesquisa em IA”.
Modelos atuais são suficientes?
Para Socher, a resposta é não — e não por falta de ideias. Ele observa que estamos vendo “ideias de alto nível cada vez mais interessantes saindo da própria IA”, mas que ainda serão necessárias muitas inovações para ir além do estado atual. Ele cita uma distinção provocativa: uma pessoa cega ainda pode ser inteligente; da mesma forma, uma IA “cega” pode ser bastante inteligente — sinal de que a inteligência não depende de um único sentido ou modalidade.
Benchmarks quebrados e a dificuldade de medir progresso
Um dos pontos centrais da conversa foi a fragilidade dos benchmarks e dos harnesses de avaliação. Socher defende que medir o progresso real da IA é um problema em aberto — e que parte da infraestrutura central de agentes passa por otimização de harnesses, sandboxing e busca na web. Ele também comentou estar formulando uma “unidade de medida da inteligência”, ainda em estágio inicial, e criticou definições que impõem limites antropocêntricos à compreensão do que é inteligência.
Simular pessoas e economias inteiras
A entrevista abordou ainda a possibilidade de LLMs simularem pessoas e até economias completas — o que ele chama de “economista de IA” —, com ressalvas sobre colapso de modos e o uso de personas. A ideia conecta-se diretamente ao roadmap da Recursive, que passa por agentes, busca e finanças, com foco em engenharia de recompensas e pesquisa automática.
O conselho para quem constrói
No fechamento, Socher defendeu metas claras e “alta agência” (high agency) para quem desenvolve com IA. O tom é pragmático: alguns horizontes de tempo ainda são distantes demais para serem imediatamente acionáveis, mas a direção — usar IA para acelerar a própria pesquisa em IA — é, na visão dele, o caminho com maior retorno.
Descubra mais sobre noticiAI
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



