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Malware usa mente coletiva de IA para se guiar sem nenhum humano

Pesquisadores da Cisco Talos descobriram malware que consulta quatro LLMs para decidir sozinho os próximos passos — sem nenhum humano no controle.

Malware usa mente coletiva de IA para se guiar sem nenhum humano

Uma “mente coletiva” de IA guiando malware

Pesquisadores da Cisco Talos usaram um novo framework — batizado de CAIRN (Cognitive Artifact Intelligence Research Network), em referência às pilhas de pedras que montanhistas usam para marcar trilhas — para identificar uma ferramenta de invasão com infraestrutura de comando e controle totalmente autônoma. O malware, apelidado de CLOSEDQUORUM, planejava seus movimentos dentro do sistema-alvo consultando até quatro grandes modelos de linguagem sobre o que fazer e tomando decisões a partir dessa “mente coletiva”.

Como a detecção funciona

A ideia central do CAIRN é que a integração de IA deixa vestígios — como impressões digitais — que podem ser usados para rastrear, classificar e agrupar amostras de malware. O sistema atribui uma identificação única a cada artefato e analisa cada um no contexto de toda a biblioteca, revelando tendências e conexões entre famílias.

“Inicialmente, todo mundo via a IA como ferramenta de produtividade”, diz Matt Olney, diretor sênior de inteligência de ameaças da Cisco Talos. “Agora o que vemos é ela sendo operacionalizada: permite que atacantes rodem mais campanhas, atinjam mais espaços e lidem com mais computadores diferentes, porque têm uma caixa muito inteligente no backend que pode fazer perguntas e dar respostas.”

Um salto qualitativo

O CLOSEDQUORUM é um malware para Windows que consulta DeepSeek, Qwen, Mistral e Google Gemini para formar consenso sobre os próximos passos. Se um serviço de IA fica indisponível, ele continua consultando os outros, criando redundância suficiente para o sistema operar fechado, sem nenhum mecanismo de entrada humana. Os pesquisadores viram ligações com fóruns de fraude de cartão de crédito desde 2025, e a ferramenta foi projetada para roubar credenciais e criptomoedas.

O trabalho começou em julho de 2025, quando a CERT-UA, unidade ucraniana de resposta a incidentes, alertou sobre uma campanha de phishing com um malware chamado LAMEHUG que se comunicava com o modelo Qwen2.5-Coder via API do Hugging Face. Um ano depois, o pesquisador Ryan Fetterman esperava uma “explosão” de malware com IA — mas encontrou poucos exemplos documentados. Com o CAIRN, descobriu cerca de 20 exemplos adicionais. “Ainda é amplamente experimental para atacantes, mas o cenário é muito mais complexo e diverso do que foi reportado publicamente”, afirma.

Os pesquisadores não conseguiram confirmar quem desenvolveu o CLOSEDQUORUM nem se ele já foi usado em ataques reais. Mas o recado para o lado defensivo é claro: a automação de campanhas por IA está deixando de ser hipótese.


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