Inteligência artificial, sem ruído.
Infraestrutura3 min

Lixo eletrônico da IA pode encher 23 milhões de contêineres até 2050, alerta novo relatório

Relatório da Basel Action Network alerta que o descarte de hardware de IA foi subestimado e pode triplicar o e-waste global até 2050.

Lixo eletrônico da IA pode encher 23 milhões de contêineres até 2050, alerta novo relatório

O lixo eletrônico da IA é muito maior do que se estimava

O boom da inteligência artificial tem um custo físico que a maior parte das estimativas até agora subestimou: o lixo eletrônico. Um novo relatório da organização sem fins lucrativos Basel Action Network (BAN) alerta que, até 2050, o e-waste gerado pela IA pode se tornar lixo suficiente para encher 23 milhões de contêineres de transporte — o bastante, enfileirados, para dar seis voltas na Terra.

O número é significativamente maior do que estudos anteriores porque os autores do relatório contabilizam toda a infraestrutura necessária para sustentar os servidores dentro dos data centers — não apenas as GPUs e os servidores em si.

O que a BAN está contando que os outros não contavam

“A IA pode parecer sem peso, mas cada modelo depende de uma quantidade enorme de hardware altamente especializado e de ponta”, afirma Jim Puckett, fundador da BAN. “Se empresas e governos não começarem a planejar esse novo tsunami de resíduos, o atual avanço da IA pode se tornar uma crise de lixo tóxico ainda mais cataclísmica do que a que já vivemos.”

Hoje, o mundo gera 68,3 milhões de toneladas de e-waste por ano, e menos de um quarto disso é formalmente coletado e reciclado. A maior parte acaba em coleta “informal”, onde a queima ou o enterro de equipamentos expõe trabalhadores e o meio ambiente a materiais tóxicos como chumbo e cromo. Os Estados Unidos — o país com mais data centers do mundo — ainda não ratificou a Convenção de Basileia, criada para limitar o comércio internacional de resíduos perigosos.

Os números projetados

A BAN projeta que o e-waste global vai triplicar, chegando a até 211 milhões de toneladas por ano em 2050, e atribui de 15% a 20% desse volume à inteligência artificial. O relatório expande a conta para incluir fontes de alimentação, sistemas de resfriamento, energia de backup e equipamentos de rede — além do que a organização chama de “Contágio de Resíduos de IA”: infraestrutura de telecomunicações e dispositivos pessoais que se tornam obsoletos e são substituídos mais cedo por causa dos avanços da IA.

Somando tudo, a BAN estima 70 mil toneladas de e-waste por gigawatt de capacidade de data center. Citando uma projeção da McKinsey de que a capacidade total chegará a 219 GW até 2030, o relatório conclui que o descarte acumulado de equipamentos ligados à IA entre 2025 e 2050 somará entre 395 milhões e 617 milhões de toneladas até meados do século — algo como 8,6 a 13,1 milhões de toneladas por ano.

Estudos anteriores foram mais conservadores porque, ao focar apenas em servidores e aceleradores, ignoravam cerca de 87% da infraestrutura eletromecânica de um data center.

Por que isso importa

Para o leitor brasileiro, o alerta tem implicação dupla: ambiental e regulatória. O país, que já lida com o descarte irregular de eletrônicos e a Política Nacional de Resíduos Sólidos ainda em implementação, tende a receber tanto a demanda crescente por data centers quanto os riscos de um ciclo de vida de hardware cada vez mais curto. O relatório deixa claro que a sustentabilidade da IA não é só uma questão de energia — é também uma questão de para onde vai o hardware quando a próxima geração de chips chegar.



Descubra mais sobre noticiAI

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

R
Sobre o autorRedação Noticiai

Equipe editorial dedicada a explicar inteligência artificial com clareza, independência e contexto.