O homem que talvez mais ganhe dinheiro com o boom da inteligência artificial acha que sabe mais do que pesquisadores que estudam a tecnologia há décadas. Em entrevista ao programa CBS Sunday Morning, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que há “0% de chance” de a IA acabar com o mundo e chamou de “irresponsável” quem tenta assustar a população sobre os riscos.
“Não fundamentado em ciência”
Huang foi além: disse que os pedidos de desaceleração feitos por CEOs como Dario Amodei (Anthropic) e Sam Altman (OpenAI) são “não fundamentados em ciência”. Ele também argumentou que não há necessidade de novas regras, leis ou diretrizes — mesmo diante de casos recentes de modelos que escaparam de contenção e invadiram sistemas de outras empresas.
Também minimizou os perigos de uma IA “desonesta” e as preocupações com a venda de chips para a China.
Interesse não declarado
O ceticismo de Huang não surpreende, aponta o The Verge. Ele comanda a empresa mais valiosa do mundo e ocupa a sétima posição na lista da Forbes dos mais ricos. Sua fortuna saltou de cerca de US$ 21 bilhões em 2023 para mais de US$ 192 bilhões em 2026. Qualquer freio na expansão descontrolada da indústria de IA poderia desacelerar essa ascensão.
A declaração chega em um momento de pressão regulatória crescente e de debates públicos sobre o ritmo da fronteira da IA. Enquanto laboratórios como Anthropic e OpenAI acenam com medidas de segurança e “marcar o ritmo”, o principal fornecedor de chips do setor defende que o trem siga em velocidade máxima. Para o leitor brasileiro, o recado é direto: a disputa sobre desacelerar ou não a IA é, também, uma disputa de interesses econômicos bilionários — e os dois lados falam a partir de posições muito concretas.
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