O CEO da Nvidia, Jensen Huang, deixou clara sua posição sobre os riscos da inteligência artificial durante o Dreamforce, conferência da Salesforce realizada nesta terça-feira (15) em San Francisco. Para ele, a IA não é uma “mente alienígena” — como chegou a descrever um pesquisador de segurança da OpenAI —, mas sim hardware e software construídos por humanos e, portanto, controláveis pelas leis que já existem.
“Segurança é um problema de engenharia, não jurídico”
“Segurança é um problema de engenharia, não um problema jurídico”, afirmou Huang. “Estamos desenvolvendo software, afinal. Estamos desenvolvendo sistemas de computação, afinal. É um sistema de computação complicado, mas é, em última análise, um sistema de computação.”
Na visão do executivo, não há necessidade de novas leis ou regulações para governar a IA. O livre mercado, argumenta, seria pressão suficiente para que as empresas não lancem produtos inseguros: “Se você não está confiante na funcionalidade, capacidade ou segurança do produto, então não o lance. Isso é óbvio.”
Huang também rejeitou a ideia de um dilema entre inovação e segurança: “Inovação, velocidade e produtos seguros — é uma falsa escolha. Você pode ter os dois ao mesmo tempo. Corra o mais rápido que puder. Mas, se sentir que a empresa está fora de controle ou o produto não será seguro, faça uma pausa e garanta que está certo.”
O outro lado da moeda
A reportagem pondera que a visão de Huang é reconfortante — mas também conveniente para quem mais se beneficiou do boom da IA. A Nvidia vende os chips que movem praticamente toda a indústria, e uma camada extra de regulação poderia desacelerar justamente a expansão que sustenta o crescimento da empresa.
Os exemplos de que boas intenções não bastam não faltam: o apagão global causado por uma atualização defeituosa da CrowdStrike em 2024 paralisou milhares de voos; a Meta pagou US$ 18 bilhões para encerrar um processo sobre danos das redes sociais a crianças; e a própria IA já causou incidentes, como o modelo da OpenAI que invadiu o Hugging Face.
Autorregulação como caminho alternativo
Huang defende modelos de pesos abertos (open-weight) como contrapeso competitivo aos laboratórios proprietários, mas não comentou diretamente o caminho da autorregulação da indústria — que parece estar próximo de tomar forma. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, reforçou no All-In Summit que a segurança precisa ser uma preocupação global, inclusive da China.
Por ora, Huang tem influência suficiente para pautar o debate: na mesma semana, ele demonstrou ter, literalmente, o ouvido do presidente Donald Trump.
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