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Gravadoras propõem barreira para impedir que músicas de IA entrem nas paradas

Universal, Sony e Warner querem que músicas geradas por IA sejam barradas dos charts a menos que atendam a seis critérios rigorosos — incluindo serem 'substancialmente humanas'.

Gravadoras propõem barreira para impedir que músicas de IA entrem nas paradas

Gravadoras propõem barreira para impedir que músicas geradas por IA entrem nas paradas de sucesso

As três maiores gravadoras do mundo — Universal Music Group, Sony Music e Warner Music Group — apresentaram uma proposta conjunta de regras que, na prática, impediriam músicas geradas por inteligência artificial de aparecer nas paradas musicais internacionais.

A proposta vai além de simplesmente rotular conteúdo de IA. Ela estabelece que, para uma faixa ser elegível para os charts, ela precisa atender a seis critérios rigorosos, incluindo ser “substancialmente feita por humanos” e usar apenas ferramentas de IA “devidamente autorizadas e legais”.

As seis regras propostas

Segundo o documento apresentado pelas gravadoras, uma gravação desenvolvida com IA generativa não deve ser incluída nas paradas oficiais se houver razão para acreditar que ela não atende a todos os seguintes critérios:

  1. Os serviços de IA generativa usados são devidamente autorizados e operam dentro da lei
  2. A gravação é substancialmente feita por humanos
  3. A faixa não levanta preocupações de manipulação de streams ou charts
  4. A gravação respeita as leis aplicáveis, incluindo direitos autorais e direitos de personalidade
  5. A publicação não viola os termos de serviço da ferramenta de IA usada
  6. O uso de IA é claramente sinalizado aos consumidores nas plataformas de streaming

O que está vago — e preocupante

O texto deixa em aberto o que exatamente significa “substancialmente feita por humanos”. Uma música com letra humana mas arranjo de IA conta? E se for o contrário — melodia humana com letra gerada? As gravadoras Sony, UMG e Mom+Pop Music não responderam imediatamente a pedidos de esclarecimento da imprensa.

O termo “manipulação de streams” também é amplo o suficiente para cobrir tanto farms de bots quanto o uso legítimo de IA para masterização ou efeitos sonoros.

Quem apoia — e quem decide

A IFPI (International Federation of the Phonographic Industry), que representa a indústria fonográfica global, endossou a proposta. No entanto, nenhuma organização responsável por paradas musicais — como a Billboard nos EUA ou a Official Charts Company no Reino Unido — sinalizou planos imediatos de adotar as regras.

Vale notar que esta proposta é separada e mais restritiva do que outra iniciativa em andamento, liderada pela RIAA, IFPI e SAG-AFTRA, que apenas criaria rótulos padronizados para músicas geradas ou assistidas por IA — sem barrar sua entrada nas paradas.

O contexto brasileiro

No Brasil, o debate sobre IA na música ainda é incipiente, mas o país tem um dos mercados de streaming que mais crescem no mundo. Com a popularização de ferramentas como Suno e Udio — que geram músicas completas a partir de prompts de texto —, o mercado brasileiro pode enfrentar os mesmos desafios de saturação de “AI slop” que motivaram a proposta das grandes gravadoras.


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Sobre o autorRedação Noticiai

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