Gravadoras propõem barreira para impedir que músicas geradas por IA entrem nas paradas de sucesso
As três maiores gravadoras do mundo — Universal Music Group, Sony Music e Warner Music Group — apresentaram uma proposta conjunta de regras que, na prática, impediriam músicas geradas por inteligência artificial de aparecer nas paradas musicais internacionais.
A proposta vai além de simplesmente rotular conteúdo de IA. Ela estabelece que, para uma faixa ser elegível para os charts, ela precisa atender a seis critérios rigorosos, incluindo ser “substancialmente feita por humanos” e usar apenas ferramentas de IA “devidamente autorizadas e legais”.
As seis regras propostas
Segundo o documento apresentado pelas gravadoras, uma gravação desenvolvida com IA generativa não deve ser incluída nas paradas oficiais se houver razão para acreditar que ela não atende a todos os seguintes critérios:
- Os serviços de IA generativa usados são devidamente autorizados e operam dentro da lei
- A gravação é substancialmente feita por humanos
- A faixa não levanta preocupações de manipulação de streams ou charts
- A gravação respeita as leis aplicáveis, incluindo direitos autorais e direitos de personalidade
- A publicação não viola os termos de serviço da ferramenta de IA usada
- O uso de IA é claramente sinalizado aos consumidores nas plataformas de streaming
O que está vago — e preocupante
O texto deixa em aberto o que exatamente significa “substancialmente feita por humanos”. Uma música com letra humana mas arranjo de IA conta? E se for o contrário — melodia humana com letra gerada? As gravadoras Sony, UMG e Mom+Pop Music não responderam imediatamente a pedidos de esclarecimento da imprensa.
O termo “manipulação de streams” também é amplo o suficiente para cobrir tanto farms de bots quanto o uso legítimo de IA para masterização ou efeitos sonoros.
Quem apoia — e quem decide
A IFPI (International Federation of the Phonographic Industry), que representa a indústria fonográfica global, endossou a proposta. No entanto, nenhuma organização responsável por paradas musicais — como a Billboard nos EUA ou a Official Charts Company no Reino Unido — sinalizou planos imediatos de adotar as regras.
Vale notar que esta proposta é separada e mais restritiva do que outra iniciativa em andamento, liderada pela RIAA, IFPI e SAG-AFTRA, que apenas criaria rótulos padronizados para músicas geradas ou assistidas por IA — sem barrar sua entrada nas paradas.
O contexto brasileiro
No Brasil, o debate sobre IA na música ainda é incipiente, mas o país tem um dos mercados de streaming que mais crescem no mundo. Com a popularização de ferramentas como Suno e Udio — que geram músicas completas a partir de prompts de texto —, o mercado brasileiro pode enfrentar os mesmos desafios de saturação de “AI slop” que motivaram a proposta das grandes gravadoras.
Descubra mais sobre noticiAI
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



