O Google aposta US$ 899 na ideia de que você vai trocar de notebook por causa do Gemini
Depois de apresentar o Googlebook em maio, o Google abriu nesta segunda-feira a pré-venda do dispositivo por US$ 899. A aposta é ambiciosa: convencer o consumidor a comprar um notebook que traz a IA embutida — no caso, o Gemini — em vez de usar assistentes instalados por aplicativo ou acessados pelo navegador.
O Googlebook roda Android com uma versão desktop do Chrome, mantendo elementos familiares do ChromeOS. A grande novidade é o formato: o laptop como palco nativo para as capacidades mais recentes do Gemini.
O que o aparelho traz de diferente
Entre os recursos de destaque estão o Magic Cursor (um cursor que funciona como ponte para o Gemini, permitindo destacar conteúdo numa página e pedir ao modelo que trabalhe com ele), os widgets “vibe-coded” e o Rambler — recurso de ditado que limpa textos confusos e transforma “descargas mentais” em texto legível.
Na prática, o Magic Cursor não está tão distante do “Circle to Search” do Android, que permite circular, destacar ou tocar para acionar a busca com IA. E, como o próprio TechCrunch observa, o Circle to Search sozinho nunca provocou uma migração em massa para o Android. A conclusão editorial é direta: nenhum desses recursos isoladamente justifica a compra de um aparelho novo.
A estratégia por trás do hardware
O que realmente importa é o jogo de longo prazo. O Google enxerga nos ~50 milhões de Chromebooks usados em escolas (mercado K-12) a base a ser migrada para o Gemini. A empresa já indicou que os Chromebooks atuais continuarão suportados, mas que muitos poderão fazer a transição para a experiência Googlebook no futuro.
O pacote de US$ 899 inclui 12 meses de Google AI Pro — com 5 TB de armazenamento em nuvem, ferramentas do Gemini Advanced e 3 meses de YouTube Premium e Adobe Photoshop, entre outros. As atualizações regulares estão garantidas por até 10 anos.
Hardware e disponibilidade
Os aparelhos principais são fabricados por Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo, com materiais como alumínio, liga de magnésio e fibra de carbono, telas OLED de até 2,8K, trackpads de vidro com resposta háptica e teclados retroiluminados. Por dentro, processadores Intel e Qualcomm com NPUs dedicadas, com até 14 horas de bateria.
A pré-venda já está aberta na Google Store e em varejistas como a Best Buy. As unidades chegam às prateleiras em 4 de outubro nos EUA e em 5 de outubro no Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália. Não há previsão de lançamento no Brasil — o que não diminui a relevância do movimento: ele sinaliza a direção que o Google pretende seguir na corrida da IA aplicada a hardware de consumo.
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