O que mudou
O Google DeepMind anunciou nesta quinta-feira (30) o Gemini Robotics 2, uma nova versão do seu modelo de IA para robótica que agora consegue controlar o corpo inteiro de um robô humanoide — dos pés às pontas dos dedos. A versão anterior controlava apenas a parte superior do corpo.
O avanço amplia significativamente o leque de ações que robôs humanoides podem executar: andar, agachar, esticar os braços e manipular objetos com precisão. Em demonstração, o robô Apollo 2, da Apptronik, aparece se curvando para pegar um regador e selecionando itens específicos de uma prateleira.
Mãos com cinco dedos e coordenação fina
O Gemini Robotics 2 também aprimora a destreza com mãos robóticas de cinco dedos. Tarefas como fechar um saco Ziploc, amarrar um saco de lixo ou desrosquear uma lâmpada agora entram no repertório. O DeepMind reconhece que os robôs “ainda precisam avançar em velocidade de movimento”, mas classifica este lançamento como um passo importante rumo a tarefas complexas do mundo real.
Raciocínio corporificado e colaboração entre robôs
Junto com o modelo de controle motor, o DeepMind atualizou o Gemini Robotics ER 2 (Embodied Reasoning), um modelo de visão-linguagem que ajuda robôs a analisar o ambiente, processar instruções e executar tarefas em múltiplas etapas. A nova versão entende melhor quando uma tarefa começa e termina — essencial para operações prolongadas.
Um destaque importante: o ER 2 permite que robôs de tipos diferentes colaborem entre si. Em um dos vídeos divulgados, o Apollo 2 instrui um robô de braço duplo do Google a guardar ferramentas enquanto limpa uma garagem.
Segurança e operação offline
O DeepMind afirma que o ER 2 é seu “modelo de robótica mais seguro até hoje”, com capacidade de detectar humanos próximos, acionar ferramentas de segurança e parar o robô se alguém se aproximar demais. Além disso, a versão On-Device do modelo, que roda localmente sem internet, agora se adapta mais rapidamente a diferentes formatos de robôs.
Por que isso importa
O anúncio chega em um momento em que a corrida por robôs humanoides de uso geral está acelerando — Tesla (Optimus), Figure AI e 1X Technologies competem no mesmo espaço. O diferencial do Google está na integração entre visão, raciocínio e controle motor em um único stack de IA, eliminando a necessidade de programação manual para cada nova tarefa. Para o mercado brasileiro, onde a automação industrial está em crescimento, robôs que aprendem a se adaptar sozinhos representam uma mudança de paradigma.
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