Após semanas de controvérsia e especulação, a fabricante de cordas e acessórios musicais D’Addario admitiu que inteligência artificial — especificamente a plataforma Suno — foi usada em um vídeo promocional recente. Durante quase duas semanas, a empresa havia negado as acusações.
Da negação à confissão
A companhia apresentou diversas explicações ao longo do caminho: exportações de baixa qualidade, combinações de plugins como o Autotune introduzindo ruído digital e o uso de ferramentas de masterização assistidas por IA da LANDR e do Logic. Mas, por fim, editou o post original no Instagram para reconhecer o erro.
“Erramos. Concluímos uma revisão completa e confirmamos que o Suno Studio foi usado para regenerar a faixa original. Compartilhamos informações imprecisas e sentimos muito”, diz o texto. A empresa afirmou que “não apoia música gerada por IA” e que passará a exigir que funcionários e parceiros criativos divulguem qualquer uso de IA generativa, além de revisar com mais rigor tudo o que publica.
Evidências que foram se acumulando
O vídeo original era uma demonstração de um novo conjunto de cordas para guitarras de alcance estendido e afinações graves. Ouvintes notaram rapidamente inconsistências no áudio, e a situação piorou quando a D’Addario publicou um trecho das sessões do Logic que, segundo ela, deram origem à faixa — mas havia diferenças melódicas e rítmicas evidentes entre o que se ouvia na faixa final e a sessão.
O guitarrista e youtuber Rhett Shull conseguiu acesso aos arquivos originais do Logic diretamente com a D’Addario e, mesmo em uma avaliação generosa, concluiu que o Suno provavelmente foi usado em algum ponto do processo, muito possivelmente para regenerar uma gravação original.
O episódio é a mais recente controvérsia de IA a abalar o mundo da guitarra, depois dos comentários do CEO da Fender comparando companheiros de banda a “IA analógica”.
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