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Regulamentação e Ética3 min

Conselheiro de IA do Papa alerta para comportamento de cartel entre grandes laboratórios

Padre Paolo Benanti, conselheiro de IA do Papa, acusa os grandes laboratórios de comportamento de cartel e cobra regulação democrática da inteligência artificial.

Conselheiro de IA do Papa alerta para comportamento de cartel entre grandes laboratórios

O alerta que vem de dentro da Igreja

Padre Paolo Benanti, o teólogo que assessora a Igreja Católica em questões de inteligência artificial, fez um alerta incomum: a retórica sobre superinteligência e risco existencial vem desviando a atenção do debate realmente necessário — como limitar o poder das empresas que constroem a tecnologia. Ao tratar o problema como complexo demais para que alguém de fora o entenda, diz ele, os grandes laboratórios excluem todo o resto da sociedade da conversa.

“Ética não pode ser algo que pertence ao conselho de administração de uma empresa. É algo que precisa ser equilibrado e mitigado no debate na praça pública”, disse Benanti à WIRED. “Precisamos de regulação democrática.”

A acusação de cartel

Para Benanti, quando um pequeno grupo de empresas dita as regras sob as quais uma indústria inteira opera, “isso tem um nome muito claro: um cartel“. O padre argumenta que a narrativa dos laboratórios de fronteira é “interessada, para ganhar ou manter posição no mercado”.

O teólogo se diz menos preocupado em restringir os métodos de desenvolvimento da IA — o que, teme, poderia sufocar a inovação — e mais em estabelecer padrões que garantam que os modelos não escapem do controle humano. E esses padrões, qualquer que seja a forma, não deveriam ser desenhados pelos próprios laboratórios.

O contexto das disputas

O ensaio de Benanti surge após uma onda de alertas de segurança. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu avaliações obrigatórias de terceiros antes do lançamento de novos modelos e algum tipo de restrição à destilação — processo em que laboratórios rivais treinam seus modelos com base nas saídas de modelos proprietários. Outros pedem a proibição total do autoaperfeiçoamento recursivo.

Benanti também critica o tom quase religioso com que parte da indústria fala de superinteligência — como algo “praticamente onipotente”, sofisticado além da compreensão. “Estamos falando de alguma-coisa, ou de alguém? Essa é a diferença real. Não é questão de fé, é questão de matemática”, afirma. “Não estamos construindo a próxima divindade. Estamos apenas nos iludindo de que existe algo mais do que computação estatística acontecendo.”

A posição do Papa e o que vem a seguir

Em maio, o Papa Leão XIV publicou sua primeira encíclica escolhendo justamente a inteligência artificial como tema. No texto, advertiu contra a lógica tecnocrática que atravessa a indústria — que apresenta “a eficiência como medida última de valor” e trata os seres humanos como “um projeto a ser otimizado” — e pediu colaboração internacional entre superpotências e empresas, em vez da busca por “domínio geopolítico ou comercial”.

Benanti, que formalmente não representa a Santa Sé, usa IA para criar materiais didáticos para seus alunos universitários, mas se recusou a detalhar como o Papa interage com a tecnologia. Para ele, o ponto central é simples: “A primeira coisa é que precisamos ter freios e um volante. Isso significa uma posição significativa de controle dos seres humanos sobre a máquina.”



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Sobre o autorRedação Noticiai

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