O problema que a HEMA resolveu
Quando os engenheiros da HEMA precisavam de uma resposta, a jornada era conhecida por todos na empresa: navegar entre wikis desconectados, catálogos de serviços e portais de TI espalhados. Para transformar esse atrito em respostas instantâneas, a varejista holandesa centenária — com mais de 750 lojas em vários países — construiu uma camada de conhecimento sobre o Amazon Bedrock AgentCore, usando o Model Context Protocol (MCP) para entregar esse conhecimento dentro das ferramentas que as pessoas já usam.
O diagnóstico: conhecimento fragmentado
A HEMA tinha, na verdade, um retrato estruturado e valioso do próprio panorama tecnológico: um catálogo de serviços que mapeia pessoas para equipes, equipes para serviços e serviços para as APIs que expõem. O problema nunca foi a falta de conhecimento — era o acesso. Conforme a organização cresceu, o modelo informal de “pergunta para a pessoa ao lado” quebrou, e as respostas ficaram espalhadas em portais que poucos sabiam navegar. O resultado: integração lenta de novos funcionários, respostas inconsistentes e troca constante de contexto.
Por que MCP e Bedrock AgentCore
A solução — batizada de HAL — foi desenhada sobre dois objetivos complementares que se encaixam diretamente nas duas tecnologias escolhidas. O primeiro, do HAL, é consolidar o conhecimento fragmentado em uma única fonte de verdade governada. O segundo, do MCP, é entregar esse conhecimento onde as pessoas já trabalham, em vez de forçá-las a visitar mais um portal.
O MCP fornece uma interface padronizada entre clientes de IA e capacidades de backend: em vez de construir uma integração sob medida para cada fonte de conhecimento — e reconstruí-la para cada aplicação cliente — a HEMA expõe cada fonte uma única vez como uma ferramenta MCP. Clientes compatíveis, como o chat do HAL, o Kiro, o Claude e outros agentes, passam a consumir as mesmas ferramentas sem trabalho customizado.
O Bedrock AgentCore, por sua vez, é uma plataforma para construir, conectar e otimizar agentes em escala, com qualquer framework ou modelo. Para a HEMA, significou montar o HAL sem precisar criar e operar infraestrutura própria de servidor MCP. Os recursos mais importantes: o Gateway transforma especificações OpenAPI e funções AWS Lambda diretamente em ferramentas MCP, sem código customizado; o Identity gerencia autenticação JWT de entrada e OAuth2 de saída; e o Runtime hospeda o agente interno, construído com o framework Strands, como um contêiner.
Construindo o HAL em duas etapas
O HAL não nasceu pronto. Ele cresceu em dois passos deliberados. Primeiro, a equipe construiu um assistente autônomo com interface de chat própria, em Next.js, apoiado em um agente Strands empacotado como contêiner Linux/ARM64 no AgentCore runtime — junto com memória de conversa e Amazon Bedrock Guardrails com suporte a holandês. O agente acessa o conhecimento por dois caminhos: ferramentas locais que chamam a API Retrieve sobre as Knowledge Bases (busca semântica) e, para dados ao vivo, MCP até um AgentCore Gateway autenticado com IAM SigV4.
Por trás do HAL há várias bases de conhecimento no Amazon Bedrock Knowledge Bases (RAG gerenciado): documentação de TI e how-to, especificações de API/OpenAPI, tópicos de Kafka com seus esquemas Avro, canais de troca de dados e o catálogo de serviços. A recuperação usa um padrão em duas etapas — uma busca inicial responde a maioria das perguntas, e fetch_full_document puxa o documento completo quando um único trecho não basta — com reranking do Bedrock e filtro por metadados de equipe.
A parte difícil: autenticação e DCR
O segundo passo foi abrir o HAL para as ferramentas do dia a dia sem entregar credenciais AWS. Isso exigiu um segundo AgentCore Gateway, autenticado com Microsoft Entra ID em vez de IAM — dedicado a clientes MCP externos e compartilhando apenas as Knowledge Bases de leitura. Na frente dele, um proxy de autenticação MCP (Amazon API Gateway v2 + uma Lambda) reconcilia a especificação OAuth do MCP com as particularidades do Entra ID.
Um detalhe técnico vale destaque: é o único ponto em que o Dynamic Client Registration (DCR) aparece em todo o sistema. Clientes MCP esperam um POST /register que devolve um ID de cliente. Em vez de implementar registro dinâmico real, o proxy usa um /register simulado que retorna um ID fixo e pré-provisionado. Para o usuário final, o resultado prático é simples: só o URL do proxy e uma lista de escopos vazia, sem credenciais AWS — um login no navegador na primeira conexão e renovação automática de token depois.
Resultados e o próximo passo
O que começou como ferramenta de desenvolvedor virou um assistente entre funções. Desenvolvedores usam a superfície técnica completa de dentro do Kiro e do chat; product owners consultam documentação e processos; analistas de negócios perguntam sobre infraestrutura usando o catálogo de serviços. Hoje o HAL é somente leitura e entrega respostas instantâneas. O próximo passo é a ação instantânea — começando por provisionar uma nova conta AWS diretamente do chat, sem visitar portal algum — viabilizada porque os portais subjacentes já são habilitados para API e integrados ao mesmo Entra ID e aos grupos do Active Directory que hoje protegem as ferramentas de leitura.
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