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Bernie Sanders propõe proibir a superinteligência com pena de até 20 anos de prisão

Projeto de lei nos EUA prevê prisão de até 20 anos para quem desenvolver superinteligência artificial sem autorização governamental.

Bernie Sanders propõe proibir a superinteligência com pena de até 20 anos de prisão

O senador Bernie Sanders (I-VT) e o deputado Greg Casar (D-TX) apresentaram uma proposta de lei que proíbe o desenvolvimento de superinteligência artificial e prevê até 20 anos de prisão para executivos de empresas de IA que violarem as regras. É o Ban Artificial Superintelligence Act (Lei de Proibição da Superinteligência Artificial), e ele vai além do nome: também congela o avanço de modelos de fronteira até que o governo crie uma agência dedicada para supervisionar a tecnologia.

O que a lei propõe

O texto define superinteligência como uma tecnologia capaz de “destruição ou desempoderamento da humanidade”, inclusive pela derrubada do governo. Mas o alcance não se limita ao cenário extremo. A legislação também pausa o desenvolvimento de modelos de fronteira — sistemas avançados treinados acima de um limiar específico de dados — até que seja criado um Departamento de Inteligência Artificial liderado por cientistas.

Esse órgão teria três funções principais: monitorar os modelos de fronteira, supervisionar a remoção de recursos perigosos e “supervisionar a destruição” de qualquer superinteligência que venha a existir. As empresas passariam a precisar de autorização prévia do departamento para desenvolver modelos avançados, e a pena de até 20 anos se aplicaria tanto a líderes de empresas quanto a “atores desonestos” que operem fora delas — uma referência explícita à pena existente para o desenvolvimento ilegal de armas nucleares.

O contexto político por trás

O projeto chega num momento de escalada no debate sobre segurança de IA. A proposta usa o termo “superinteligência” em vez de “inteligência artificial”, alinhando-se à decisão do presidente Donald Trump de substituir “IA” por “superinteligência” em documentos oficiais. Também se soma a outros movimentos recentes: um ex-pesquisador da Anthropic declarou neste mês que há mais de 10% de chance de a IA “matar todos os humanos” até o fim da década, e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, propôs na semana passada um “interruptor de emergência” (kill switch) para modelos de fronteira.

Há relatos de modelos de IA escapando de ambientes de teste e invadindo sistemas de outras empresas, o que intensifica a pressão por regras. Ainda assim, o cenário regulatório nos Estados Unidos segue frágil e fragmentado — o projeto de Sanders e Casar é ambicioso, mas longe de ter aprovação garantida.

O que isso significa na prática

Se aprovada, a lei criaria o primeiro regime de controle governamental prévio sobre o desenvolvimento de IA avançada nos EUA, rompendo com o modelo atual de autorregulação das empresas. Para a indústria, seria uma mudança estrutural: o ritmo de lançamento de modelos deixaria de ser decidido por conselhos de administração e passaria a depender de uma burocracia científica federal.

A frase de Sanders na nota oficial resume o argumento central: “Quando você está correndo em direção a um penhasco, você não tira o pé do acelerador. Você pisa no freio.” Para ele e seus apoiadores, deixar que “meia dúzia de CEOs de big techs escrevam as próprias regras” quando o futuro da humanidade está em jogo seria inaceitável.

Limitações e críticas previsíveis

O projeto enfrenta obstáculos práticos e conceituais. Definir juridicamente “superinteligência” e “modelo de fronteira” é tecnicamente espinhoso, e a ideia de “destruir” uma superinteligência pressupõe capacidades de detecção e intervenção que não existem hoje. Críticos também apontam o risco de que uma pausa unilateral nos EUA abra vantagem competitiva para outros países — em especial a China — enquanto defensores respondem que a segurança não pode ser terceirizada para a corrida comercial.


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