AT&T usa IA para automatizar funções e projeta encolher para 85 mil funcionários até 2030
A AT&T está usando inteligência artificial para automatizar tarefas que vão do atendimento ao cliente à manutenção de torres de celular — e admite que o efeito colateral será um quadro de funcionários bem menor. “Não vamos ter o mesmo número de colaboradores em cinco anos como temos hoje”, disse a executiva Angela Legg, citando que a comparação com concorrentes influencia a decisão.
Segundo dados financeiros públicos, a AT&T gerou menos receita por funcionário no último ano que as rivais Verizon e T-Mobile — ambas também demitiram nos últimos meses. Se a empresa mantiver o ritmo de cortes do ano passado (8 mil postos), a força de trabalho pode se aproximar de 85 mil funcionários até 2030. A companhia, que empregava cerca de 131 mil pessoas em junho, chamou esse número de “impreciso”, mas já cortou 2,1 mil postos só no primeiro semestre de 2026.
Onde a IA entra, na prática
- Atendimento ao cliente com sistemas de IA;
- Escolha de locais para novas torres e identificação de falhas nas existentes;
- GeoModeler, um sistema de IA generativa que ajusta configurações de rede em tempo real durante eventos extremos;
- Geração de código de software e gerenciamento de incidentes de serviço.
A partir do ano que vem, a AT&T vai substituir hardware físico em milhares de hubs centrais por software em nuvem da startup israelense DriveNets (da qual é investidora), permitindo ajustes remotos. A expectativa interna é que funções de média gerência e de desenvolvedores juniores desapareçam conforme as tarefas são automatizadas.
O quadro maior
O emprego no setor de telecomunicações dos EUA cai há 25 anos, mas a possibilidade de a IA acelerar essa tendência e elevar margens tem cativado investidores. Ao mesmo tempo, a AT&T desativa a antiga rede de cobre — que consumia energia e equipe — e foca em fibra e wireless, o que o CEO John Stankey descreve como “exatamente a base de ativos que queremos à medida que a IA molda a próxima era da conectividade”.
Internamente, a transição encontra resistência: a volta obrigatória ao escritório cinco dias por semana gerou atrito natural, e a empresa tenta compensar com investimentos em experiência de trabalho. A mensagem da liderança é de reposição seletiva: contratar para desenvolver e governar agentes de IA, mesmo encolhendo o total.
O caso da AT&T importa porque é um retrato concreto do que a automação por IA faz com uma empresa centenária: não um colapso súbito, mas uma recomposição gradual de funções — com ganhos de eficiência de um lado e milhares de postos do outro.
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