O tombo histórico da IBM
Na quarta-feira (22), a IBM oficialmente reportou seus resultados trimestrais e a notícia foi tão ruim quanto o mercado já esperava. A empresa de 115 anos ainda gera muito dinheiro — US$ 17,2 bilhões em receita, US$ 9,9 bilhões em lucro bruto, margens de quase 58% e US$ 2,2 bilhões em lucro líquido — mas os números ficaram bem abaixo das expectativas de Wall Street.
O tombo foi tão feio que o CEO Arvind Krishna e o conselho tomaram uma medida sem precedentes: alertaram investidores com antecedência de que os resultados seriam “piores do que nossas expectativas”. Krishna publicou uma “carta aos investidores” na semana anterior com resultados preliminares, e as ações da IBM despencaram 25% em um único dia — a maior queda diária da história da empresa.
O vilão: mainframe em queda de 42%
O grande culpado? O negócio de mainframes — a galinha dos ovos de ouro da IBM — caiu 42% no trimestre. É um problema em cascata: como explicou o CFO Jim Kavanaugh, a IBM ganha US$ 3 em receita de software para cada US$ 1 de hardware de mainframe vendido. Quando os clientes não compram o hardware, o software também sofre.
Krishna explicou que “dezenas” de clientes que deveriam comprar novos mainframes durante o trimestre decidiram não fazê-lo. Mainframes custam de centenas de milhares a milhões de dólares, e com contratos de manutenção e software, geram muitos milhões a mais.
O paradoxo da IA
O mesmo boom de IA que impulsionou a IBM nos últimos anos também a afundou neste trimestre. Os clientes corporativos enfrentaram aumentos de custo de 15% a 30% em equipamentos de data center e PCs, impulsionados pela demanda explosiva por componentes usados em hardware de IA.
“Quando confrontados com esse problema, eles decidiram mover o orçamento para essas áreas onde estavam tendo esse preço extremo”, disse Krishna. Fabricantes como Dell, HP e até a Apple já haviam alertado que os custos crescentes de componentes como memória, causados pelo boom de construção de data centers de IA, os forçaram a aumentar preços.
Em outras palavras: os orçamentos de TI estão sendo drenados pela corrida da IA, e os mainframes — máquinas essenciais para bancos, seguros e governos — estão temporariamente em segundo plano.
O que a IBM promete
Krishna insiste que isso é temporário. Ele prometeu que esses clientes ainda comprarão seus novos mainframes — junto com novos contratos de software. “Não vemos nenhuma evidência de clientes migrando para fora do mainframe”, afirmou. Alguns, inclusive, já fecharam contratos no trimestre atual.
A IBM também reduziu suas projeções de crescimento para o ano inteiro, indicando que este trimestre ruim impactará o restante de 2026.
O que isso significa para o mercado brasileiro
Para o setor de TI no Brasil, o sinal é claro: a pressão de custos de infraestrutura de IA está reorganizando orçamentos corporativos no mundo todo. Empresas que operam mainframes — como grandes bancos e seguradoras brasileiras — podem enfrentar dilemas semelhantes ao decidir entre renovar infraestrutura legada ou investir em capacidade de IA.
A indústria de tecnologia prevê a morte do mainframe há décadas. Talvez nem a IA consiga matá-lo. Mas o trimestre da IBM mostra que, no curto prazo, a IA está sim canibalizando orçamentos que antes iam para infraestrutura tradicional.
Descubra mais sobre noticiAI
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



