O anúncio
A SenseTime, uma das maiores empresas de IA da China, lançou o Galaxy Project — uma iniciativa ambiciosa que reúne quase 20 parceiros para escalar a infraestrutura doméstica de chips de IA no país. O projeto foi anunciado durante a keynote “Transformação Inteligente e Simbiose” por Yang Fan, cofundador e presidente da Large Device Business Group da empresa.
Yang descreveu o Galaxy Project como um ciclo fechado conectando tecnologia de chips, parcerias de ecossistema e implantação comercial para poder computacional de IA produzido domesticamente. A SenseTime também assinou um acordo de computação espacial com a fabricante de satélites Guoxing Aerospace e estabeleceu parceria de pesquisa com cinco instituições, incluindo o Shanghai Artificial Intelligence Laboratory, para aplicações de computação científica.
Números ambiciosos — com asteriscos
A SenseTime afirma que sua plataforma de dispositivos em larga escala já processa uma média de 2,42 trilhões de tokens por dia, com projeção de crescer 25 vezes para 10 trilhões de tokens diários até o quarto trimestre de 2026. A empresa também alega que sua tecnologia de inferência híbrida heterogênea entrega um aumento de 85% a 152% na utilização de Model FLOPs em chips domésticos, com custo-efetividade de inferência 1,25x superior às peças da série H da Nvidia.
Nenhum desses números foi verificado por terceiros. A publicação especializada AI News observa que a distância entre clusters de teste otimizados de um fornecedor e o ambiente de produção de um cliente real — com pipelines de dados irregulares e atualizações de firmware atrasadas — costuma ser onde esses números se diluem.
A aposta na adaptabilidade
Chips de IA domésticos chineses historicamente enfrentam um problema de fragmentação de software: modelos treinados para uma arquitetura frequentemente exigem retrabalho para rodar em outra. A SenseTime diz ter construído uma camada de adaptação full-stack que abrange modelos, frameworks, operadores, toolchains e hardware, permitindo que clientes migrem cargas de trabalho entre diferentes fornecedores de chips domésticos sem reescritas extensivas.
Yang enquadrou o timing em torno de três tendências convergentes: a demanda por tokens crescendo em implantações empresariais, a adoção de IA industrial alcançando os casos de uso voltados ao consumidor, e a comercialização de chips domésticos atingindo um ponto onde centros de computação inteligente baseados em silício chinês podem ser erguidos com agilidade.
O que isso significa
O Galaxy Project representa a mais recente tentativa da China de reduzir a dependência de semicondutores ocidentais para IA — um movimento com implicações geopolíticas e econômicas profundas. Para o mercado brasileiro, onde a infraestrutura de IA ainda é majoritariamente baseada em Nvidia, o avanço chinês sinaliza que alternativas de hardware estão se consolidando, potencialmente diversificando a cadeia de suprimentos e reduzindo custos no médio prazo.
Mas a cautela é necessária: sem benchmarks independentes, a diferença entre o que a SenseTime promete e o que entrega em produção ainda precisa ser demonstrada.
Descubra mais sobre noticiAI
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



