A Sony Music Entertainment entrou com mais uma ação judicial contra a Udio, acusando o gerador de música por IA de violar direitos autorais de mais de 30 mil músicas do seu catálogo. A lista vai de clássicos como Hound Dog de Elvis Presley a hits contemporâneos como Say My Name de Beyoncé e As It Was de Harry Styles.
O que a Sony alega
O processo, protocolado em um tribunal de Nova York na segunda-feira (20 de julho de 2026), afirma que a lista de 30 mil obras representa “apenas uma pequena porção das obras das Autoras que a Udio infringiu”. A Sony argumenta que a Udio treinou seus modelos com gravações protegidas sem autorização, permitindo que usuários gerassem músicas que imitam o estilo, timbre e estrutura de artistas do cast da gravadora.
Esta é a segunda grande investida judicial da indústria fonográfica contra a Udio. Em 2024, Sony, Universal Music Group e Warner Music Group já haviam processado a startup — junto com sua rival Suno — em ações que se tornaram os casos de referência sobre IA generativa e direitos autorais na música.
O que está em jogo para a indústria de IA musical
O caso tem implicações que vão muito além da Udio. Se a Justiça aceitar o argumento de que treinar modelos com músicas protegidas constitui violação de copyright — mesmo que o resultado final não seja uma cópia literal — toda a indústria de IA generativa para áudio será afetada.
Startups como Suno, Udio, ElevenLabs (para voz) e Stability AI (para áudio) operam sob a premissa de que o treinamento com obras disponíveis publicamente se enquadra no fair use — a mesma defesa usada por OpenAI, Google e Meta para modelos de texto. As gravadoras contestam essa interpretação, argumentando que música é fundamentalmente diferente de texto: cada faixa é uma obra completa e identificável, não um corpus difuso de linguagem.
O argumento do “pequeno trecho”
A Sony apresenta uma lista detalhada de 30 mil músicas para demonstrar a escala da suposta violação. Embora o número impressione, o volume de obras citadas é uma estratégia jurídica comum em casos de copyright: demonstrar que a infração é sistemática, não acidental. A defesa da Udio deve se concentrar em provar que o modelo aprende padrões musicais abstratos, não memoriza trechos específicos.
Especialistas apontam que a resolução desses casos pode levar anos e provavelmente chegará à Suprema Corte americana, definindo os limites do fair use na era da IA generativa.
Contexto Brasil
No Brasil, o debate sobre IA e direitos autorais ainda está em estágio inicial. O Projeto de Lei 2338/2023, que tramita no Senado, propõe regras para o uso de obras protegidas no treinamento de IA, incluindo mecanismos de opt-out para titulares de direitos. O caso Sony vs. Udio deve influenciar diretamente essa discussão, servindo como referência internacional para a regulação brasileira.
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