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Por que o avanço do open source ainda não ameaça a Anthropic

DeepSeek lidera em volume de tokens, mas Anthropic ainda concentra mais da metade dos gastos em IA nas plataformas. CEO da Decagon explica por que modelos de fronteira e open source não são concorrentes diretos.

Por que o avanço do open source ainda não ameaça a Anthropic
A slogan reading "AI Can't Lead Change. That's Your Job" on a pavilion ahead of the World Economic Forum(WEF) annual meeting in Davos, Switzerland, on Sunday, Jan 18, 2026. The annual Davos gathering of political leaders, top executives and celebrities runs from Jan. 19-23. Photographer: Krisztian Bocsi/Bloomberg via Getty Images

O CEO da Decagon, Jesse Zhang, publicou uma análise provocativa sobre a relação entre modelos de IA open source e os grandes laboratórios de fronteira como a Anthropic. Sua tese central: modelos open source não são concorrentes dos modelos de ponta — são fases diferentes do mesmo ciclo de vida da adoção de IA empresarial.

O paradoxo dos tokens

Os dados contam uma história interessante. No dashboard do gateway de IA da Vercel, o DeepSeek já lidera em volume de tokens processados, com mais de um terço do tráfego na plataforma. O Z.ai, laboratório por trás do modelo GLM-5.2, saltou para o quarto lugar. Mas quando se olha para o gasto total — não apenas volume — a Anthropic ainda concentra mais da metade de todo o dinheiro que passa pela plataforma.

O OpenRouter, que captura um segmento mais amplo do mercado, confirma o padrão: o DeepSeek V4 Flash lidera em uso bruto, processando 5,3 trilhões de tokens por semana. O Opus 4.8, modelo de ponta da Anthropic, processa pouco mais de 2 trilhões. Mas o custo médio por token do Opus é cerca de 23 vezes maior que o do V4 Flash (US$ 1,37 por milhão de tokens contra apenas US$ 0,06), o que significa que a Anthropic provavelmente ainda captura a maior fatia da receita total.

Duas fases do mesmo ciclo

Na visão de Zhang, os modelos de fronteira (caros) são usados para provar casos de uso — a fase de descoberta. Conforme esses casos amadurecem, as empresas migram para modelos open source mais baratos para produção. Mas novos casos de uso continuam surgindo, mantendo a demanda pelos modelos caros. “Os laboratórios de fronteira continuarão dominando a descoberta. O open source vai cada vez mais dominar a produção”, resumiu Zhang.

Há outra explicação possível: mesmo quando clientes migram para open source, muitos casos de uso são tão complexos que simplesmente não podem ser totalmente substituídos por alternativas mais baratas. A aposta é que essa economia de dois níveis — modelos caros para descoberta, open source para escala — se torne uma característica estável do mercado de IA.

O que isso significa

Até setembro do ano passado, analistas especulavam que laboratórios de IA acabariam “vendendo grãos de café para a Starbucks” — insumos comoditizados enquanto a camada de aplicação colhia os benefícios. Parte dessa previsão se confirmou: startups verticais de IA migraram para modelos mais leves, e a economia dos “wrappers de GPT” permaneceu estável. Mas, token por token, provedores de fronteira como a Anthropic conseguiram manter a parte mais valiosa do mercado: o preço premium.

E com a chegada do Nemotron da Nvidia — que deve saltar para a dianteira graças às conexões da empresa e à extrema adaptabilidade do modelo — o cenário continua evoluindo rapidamente.


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