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Ajustadores de seguros lideram rejeição à IA no trabalho, mostra pesquisa do Glassdoor

Estudo revela que 98% dos ajustadores que citam IA em avaliações são críticos — e o emprego no setor caiu 21% em um ano nos Estados Unidos.

Ajustadores de seguros lideram rejeição à IA no trabalho, mostra pesquisa do Glassdoor

“Forçar a IA a ponto de pedir que humanos não usem seus próprios pensamentos e cérebros é desanimador”, diz uma avaliação. “Parem de enfiar IA em tudo”, pede outra. “Os apps de IA que esta empresa usa são todos um lixo”, reclama uma terceira. Nenhuma dessas críticas vem de jornalistas ou professores: todas são de ajustadores de seguros, que emergiram, segundo pesquisa do Glassdoor, como os maiores críticos da IA no mercado de trabalho americano.

98% de rejeição

O levantamento descobriu que ajustadores que mencionam IA em suas avaliações são negativos em impressionantes 98% das vezes. O padrão das queixas é recorrente: líderes “obcecados por IA” forçando ferramentas sujeitas a erros sobre os funcionários e seus clientes. Quando a IA falha nessa função, dizem os ajustadores, quem precisa limpar a bagunça é o humano.

Ahmad Jackson viveu isso na prática. Há cerca de um ano, sua empresa passou a usar IA no registro inicial de sinistros. Em vez de agilizar, o sistema gerou uma enxurrada de casos mal classificados. Ele relatou ter encontrado alucinações da IA ao ler resumos de sinistros — e, ao repassar esses erros a clientes e advogados, arcou com a fúria alheia. Pouco depois, pediu demissão.

Um setor em encolhimento

Os números ajudam a explicar o clima. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o emprego no setor caiu 21%, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. Para cargos de entrada, as vagas despencaram 50% desde 2025. A tecnologia é apontada como uma das principais forças por trás desse declínio.

Startups como Liberate e Pace levantaram milhões prometendo “reinventar” o seguro, enquanto a Lemonade aposta em um chatbot proprietário que já responde por 96% dos registros iniciais. “Não há empregos, não há boas perspectivas”, resume o economista Chris Martin, do Glassdoor.

O alerta para o Brasil

O caso americano é um aviso para o mercado de seguros brasileiro, que também avança na automação de sinistros. Geoffrey Conrad, executivo do setor em Mobile, no Alabama, resume o dilema: “IA é apenas uma ferramenta. Nunca deve receber as chaves.” A lição que emerge é que automação sem curadoria humana pode gerar retrabalho, insatisfação e rotatividade — o oposto do prometido.


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