Uma rodada assinada que nunca fechou
A Listen Labs, startup de pesquisa de mercado que usa IA de voz para conduzir entrevistas com clientes, assinou recentemente um term sheet para uma Série C de US$ 125 milhões, com valuation de US$ 1,5 bilhão liderado pela Menlo Ventures. Mas a rodada nunca foi fechada: a empresa abriu mão do term sheet assinado — um movimento raro e geralmente mal visto no mundo do venture capital.
O provável motivo do recuo são as negociações de aquisição com a Salesforce. Segundo o Business Insider, a gigante de CRM conversou para comprar a Listen Labs por cerca de US$ 2 bilhões. As discussões, porém, não estão finalizadas e podem não resultar em acordo.
O que a Listen Labs faz
Fundada em 2023 por Florian Jüngermann e Alfred Wahlforss, a Listen Labs usa IA para desenvolver perguntas de pesquisa e entrevistar clientes por áudio ou vídeo. As conversas são então empacotadas em relatórios e apresentações, semelhantes aos produzidos por pesquisadores de mercado humanos.
Clientes da Fortune 500 dependem desse tipo de pesquisa para medir satisfação e necessidades, mas o processo tradicional é caro e pode levar semanas. A tecnologia da Listen Labs reduz tempo e custo — e a empresa tem entre seus clientes nomes como Microsoft, Canva, Anthropic e Sweetgreen.
Um mercado em rápida expansão
A startup de três anos tem cerca de US$ 30 milhões de receita anualizada, aproximadamente três vezes mais que a concorrente Simile, que anunciou no fim de julho uma Série B de US$ 200 milhões com valuation de US$ 2 bilhões. A Listen Labs não está sozinha na corrida para automatizar a pesquisa de mercado: concorrem também Outset, Keplar e Aaru.
Se as conversas com a Salesforce não avançarem, investidores ouvidos pelo TechCrunch esperam que a Listen Labs volte ao mercado mirando um valuation de US$ 2 bilhões ou mais. A aquisição fortaleceria a aposta da Salesforce em IA, mas a companhia pode considerar o múltiplo de 67 vezes a receita alto demais.
Por que importa
O episódio ilustra o apetite crescente das big techs por startups que aplicam IA a fluxos de trabalho tradicionais — neste caso, pesquisa de mercado. Para o ecossistema brasileiro, é um sinal de que agentes conversacionais de IA estão deixando o papel de assistentes de produtividade e se tornando infraestrutura de decisão nas grandes empresas.
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