AIR levanta US$ 50 milhões para proteger a “cadeia de suprimentos” dos agentes de IA
À medida que as empresas entregam aos agentes de IA acesso a uma fatia cada vez maior de seus sistemas, começa a se formar uma nova cadeia de suprimentos de software: habilidades (skills), plugins, servidores MCP e add-ons que permitem que esses agentes interajam com a internet. É esse território que a startup de segurança AIR quer dominar — e ela acaba de sair do stealth com US$ 50 milhões levantados em duas rodadas de seed.
Fundada por Yair Saban (CEO) e Niv Hoffman (CTO), veteranos da unidade de inteligência israelense 8200 com experiência em cibersegurança ofensiva, a AIR oferece uma plataforma que descobre agentes rodando dentro das empresas, examina continuamente as habilidades e componentes que eles usam e bloqueia qualquer interação com software ou fontes externas que não passem nos critérios de segurança.
O problema do “driver sem assinatura”
A analogia usada pelo CEO é direta. No início dos anos 2000, um driver de dispositivo não precisava de assinatura; hoje, toda instalação exige uma assinatura que identifica quem o criou, porque o driver carrega código no kernel do sistema. “Você não tem isso com skills, plugins ou MCPs — e é uma pena, porque é o mesmo mecanismo, a mesma lição, que ainda não aprendemos”, disse Saban.
O risco central é que, à medida que os agentes passam a trabalhar de forma autônoma em bancos de dados, sistemas corporativos e na internet, um atacante não precisa mais atacar o agente diretamente: basta envenenar o conteúdo que ele consome.
Como a plataforma funciona
A AIR combina três camadas. Primeiro, um produto de visibilidade que encontra agentes ativos no ambiente da empresa e identifica funcionários que usam ferramentas de IA não aprovadas pelo TI. Em seguida, uma camada de enforcement que se conecta aos agentes para interceptar e analisar ações como carregar uma skill ou buscar conteúdo na internet. Por fim, a verificação de ferramentas e add-ons contra uma whitelist mantida pela própria startup.
Essa whitelist é alimentada por uma avaliação contínua de skills e add-ons disponíveis publicamente, monitorando mudanças e comportamento malicioso — um add-on aprovado pode se tornar arriscado se um pacote que ele baixa mudar ou se a conta do desenvolvedor for comprometida. Hoje, a plataforma filtra cerca de 27% dos add-ons e skills que encontra online.
Concorrência aquecida e capital de sobra
A AIR não está sozinha nesse mercado. A Noma Security oferece descoberta e monitoramento em tempo de execução para agentes e servidores MCP; a Zenity vende ferramentas de segurança e governança semelhantes; e a Astrix Security também permite descobrir e controlar agentes. O dinheiro acompanha a categoria: a Zenity levantou uma Série C de US$ 125 milhões em agosto, e a Noma captou uma Série B de US$ 100 milhões no ano passado.
Para a AIR, a primeira rodada (US$ 10 milhões) foi liderada pela Sequoia, e a segunda (US$ 40 milhões), pela Greenoaks. Com cerca de 40 funcionários e mais de 20 clientes — um quarto deles grandes empresas, com forte demanda em setores regulados como serviços financeiros e farmacêutico —, o novo capital vai principalmente para contratação de pesquisadores e expansão comercial nos EUA e na Europa.
“Isso não é um problema de varredura, é um problema de re-verificação contínua”, resumiu Bogomil Balkansky, sócio da Sequoia, em comunicado. “Inspecionar cada skill, plugin, servidor MCP e sub-agente que os agentes de uma empresa tocam — re-inspecionando cada um a cada mudança, em tempo real e em toda a frota — é um problema de infraestrutura muito antes de ser um problema de segurança.”
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