A fabricante de modelos de IA musical Suno anunciou nesta semana a nova família Suno v6, que, segundo a empresa, foi desenvolvida com dados licenciados de gravadoras e distribuidoras como Warner Music Group, BMG e Believe. O lançamento acontece em meio a uma onda de processos por direitos autorais movidos contra a startup.
Por que isso importa agora
A Suno se tornou um dos casos mais observados do embate entre IA generativa e a indústria musical. A empresa enfrenta ações judiciais de gravadoras como Sony e Universal Music Group, além de artistas como Jason Isbell, sob a acusação de ter usado música protegida por direitos autorais para treinar seus modelos — aqueles que geram faixas completas a partir de um prompt de texto.
O lançamento da v6 é uma tentativa de virar a página: a empresa afirma que o novo modelo não foi treinado com os mesmos dados usados nas versões anteriores. No ano passado, a Suno fez um acordo com a Warner Music Group e, no mês passado, fechou parceria com a BMG.
Três versões do novo modelo
A Suno está liberando o modelo em três variantes:
- Suno v6 (modelo base): disponível para assinantes, descrito como confiável e controlável;
- Suno v6 wild: experimental, também para pagantes, voltado à ideação e a resultados inesperados;
- Suno v6 mini: versão mais rápida, disponível para todos os usuários.
A empresa planeja aposentar os modelos antigos e destaca maior flexibilidade: o Suno v6 permite editar um trecho de uma música por prompt ou por uma palavra na letra, usar texto, imagem ou vídeo como referência para criar faixas e até separar um instrumento de uma amostra para gerar um novo beat.
Remix, marca d’água e receita
A startup também pretende adicionar um recurso de remix, desde que os artistas optem por um programa criado junto às gravadoras para permitir que suas músicas sejam usadas em funcionalidades de IA. O diretor de produto Jack Brody afirma que a aposta é criar novas fontes de receita para detentores de direitos e artistas.
No mês passado, a Suno anunciou uma marca d’água para músicas geradas na plataforma e novos limites de download por plano. Ainda assim, a empresa admitiu, na véspera do anúncio da v6, que treinou seus modelos usando vídeos do YouTube.
O que ainda está em aberto
Os processos de Sony, Universal e de artistas seguem em andamento. Apesar das controvérsias, a Suno já levantou mais de US$ 819 milhões em financiamento, segundo dados da PitchBook. O caso serve de termômetro para definir os limites legais do treinamento de modelos generativos sobre conteúdo protegido — uma questão que afeta não apenas música, mas também texto, imagem e vídeo.
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