Duas startups asiáticas anunciaram esta semana novos modelos de IA que competem diretamente com o Mythos, da Anthropic, aproveitando o vácuo deixado pela proibição de exportação imposta pelo governo Trump. A chinesa 360 Security apresentou o Tulongfeng, ferramenta de segurança cibernética que, segundo a empresa, rivaliza com o Mythos. Já a japonesa Sakana AI lançou o Fugu, modelo de fronteira voltado para agentes, que afirma estar ombro a ombro com o Fable 5 e o Mythos Preview.
Contexto: o embargo que abriu espaço
Há duas semanas, o governo dos EUA proibiu a Anthropic de exportar o Mythos e sua versão restrita, Fable 5, para fora do país. A medida, que afeta diretamente clientes asiáticos, criou uma oportunidade para concorrentes locais. A Sakana AI, cofundada por ex-pesquisadores do Google, nega que o lançamento do Fugu tenha sido planejado para explorar a situação — mas o site da empresa já estampa a frase “capacidade de fronteira sem o risco de controles de exportação”.

Fugu: o modelo orquestrador do Japão
O Fugu, cujo nome significa “baiacu” em japonês, foi desenvolvido desde o ano passado e apresentado no ICLR 2026. Diferente de modelos monolíticos, ele é projetado para coordenar o uso de múltiplos modelos via APIs, funcionando como um “orquestrador”. David Ha, CEO da Sakana, defende que “modelos de orquestração são a próxima fronteira, além de modelos maiores”. Para ele, depender de um único fornecedor para infraestrutura nacional é um risco que os recentes controles de exportação tornaram impossível ignorar. “O acesso a modelos de ponta pode desaparecer da noite para o dia”, escreveu no X. “A inteligência coletiva é a proteção prática contra essa concentração de poder.”
O Fugu é otimizado para o idioma e a cultura japonesa, e a Sakana o direciona a empresas e órgãos governamentais do Japão que buscam reduzir sua exposição a controles de exportação. Apesar disso, o cofundador Ren Ito afirmou ao TechCrunch que “modelos dos EUA continuam importantes para a Ásia” e que o momento atual não deve ser visto como um realinhamento permanente, mas sim uma oportunidade de preservar o acesso.
Tulongfeng: a aposta chinesa em segurança cibernética
A 360 Security, conhecida por seus produtos de segurança digital, revelou duas ferramentas: o Tulongfeng, para descoberta automática de vulnerabilidades, e o Yitianzhen, para automação de defesa cibernética e resposta a incidentes. O fundador Zhou Hongyi classificou a IA de descoberta de vulnerabilidades como um “ativo estratégico nacional” e alertou para o risco de “transparência unilateral” — situação em que alguns atores teriam acesso a capacidades avançadas de detecção de vulnerabilidades e outros não.
Impacto no mercado e próximos movimentos
A Anthropic estava em trajetória histórica de crescimento, com receita recorrente anualizada de US$ 47 bilhões em maio de 2026. Não se sabe publicamente quanto desse valor depende de clientes asiáticos, mas, em poucas semanas, duas empresas já ocuparam o espaço deixado pela proibição. Mesmo que o embargo termine, alternativas locais, treinadas para entender nuances linguísticas e culturais, já estão preenchendo a lacuna. A Sakana, porém, não proclama uma mudança duradoura: “Modelos dos EUA continuam importantes para a Ásia”, reiterou o porta-voz.
Links úteis
- Página oficial do Fugu (Sakana AI)
- Reportagem do Quartz sobre o Tulongfeng
- Matéria da Reuters sobre a 360 Security
- Comunicado do G7 em Évian sobre IA e controles de exportação
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