A Apple transformou a Siri de um simples assistente de voz para o centro da experiência do iPhone. Apresentada como “Siri AI” na WWDC de junho, a nova versão vai muito além dos comandos de voz: agora é um chatbot completo integrado ao sistema operacional, com acesso ao contexto pessoal do usuário e consciência do que está na tela.
Disponível no beta público do iOS 27, a Siri AI representa a aposta mais ambiciosa da Apple em inteligência artificial até agora — e muda fundamentalmente como milhões de usuários interagem com seus dispositivos.
O que mudou
A transformação tem três pilares principais:
1. Novo aplicativo de chat. A Siri agora tem um app estilo chatbot, similar ao ChatGPT ou Claude, onde o usuário pode manter conversas, retomar tópicos anteriores e acompanhar o histórico de interações. O app também permite configurar por quanto tempo as conversas ficam armazenadas — para sempre, um ano ou 30 dias.
2. Contexto pessoal profundo. O iPhone constrói um banco de dados indexado localmente no dispositivo durante o processo de “Otimização de Busca e Siri”. Isso permite que a assistente acesse mensagens, compromissos da agenda, fotos e outros dados para responder perguntas com contexto real. No teste do WIRED, ao perguntar “o que tenho para esta semana?”, a Siri consultou mensagens de texto para avisar sobre uma entrega do TikTok Shop, lembrou de ingressos para o cinema que amigos mencionaram em um grupo e cruzou com a agenda para destacar uma festa de aniversário.
3. Consciência do que está na tela. A Siri consegue analisar o conteúdo visível no momento — uma evolução do antigo “Visual Intelligence”. É possível, por exemplo, ver um post nas redes sociais mencionando uma notícia e perguntar “onde ela disse isso?” sem precisar dar contexto adicional. A Siri identifica a referência na tela e responde com precisão.
Integração total no ecossistema
“Eles integraram a Siri em todo o ecossistema, para que você possa acessar a Siri AI onde quer que esteja no dispositivo”, explica Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da IDC. A assistente está presente em iPhones, iPads, Macs e até no Vision Pro.
Mas nem tudo é perfeito. A versão beta atual não tem memória persistente — o usuário precisa lembrar a Siri repetidamente de preferências como restrições alimentares. E o processo de indexação do dispositivo pode levar mais de uma semana, dependendo do modelo e armazenamento. Além disso, a Siri AI exige ao menos um iPhone 15 Pro — nem todos que instalarem o iOS 27 terão acesso.
Write with Siri e a câmera inteligente
Outra novidade é o “Write with Siri”, que redige textos com base em instruções do usuário. No teste do WIRED, ao pedir para escrever uma mensagem sobre organização do apartamento, a Siri produziu um parágrafo inteiro com tom natural e carregou no campo de texto — um salto significativo em relação às sugestões automáticas do passado.
A câmera também ganhou uma aba dedicada à Siri: aponte para algo, tire uma foto, e a assistente analisa a imagem e fornece contexto. É possível ainda fazer upload de imagens com prompts adicionais para obter mais detalhes.
O contexto brasileiro
Embora a Siri AI represente um avanço significativo, vale notar que muitos dos recursos — como busca contextual profunda e assistência proativa — já estão disponíveis há algum tempo no Google Gemini em dispositivos Android. Como observa Popal, “o usuário médio da Apple ainda não tem consciência dos recursos de IA já disponíveis nos dispositivos Android”.
Para o mercado brasileiro, onde o iPhone tem uma base fiel mas minoritária, a Siri AI pode ser um fator de diferenciação importante. A integração profunda com o sistema operacional — algo que os chatbots de terceiros não conseguem replicar — é o verdadeiro diferencial competitivo da Apple.
A indexação local no dispositivo também é uma vantagem de privacidade: ao contrário de assistentes que enviam dados para a nuvem, a Siri AI processa o contexto pessoal inteiramente no aparelho.
Descubra mais sobre noticiAI
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



