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San Francisco ordena Meta a parar anúncios de IA com abuso sexual infantil

Procurador de San Francisco exige que a Meta explique como mais de 350 anúncios com menores em vídeos sexuais gerados por IA escaparam da moderação.

San Francisco ordena Meta a parar anúncios de IA com abuso sexual infantil

Mais de 350 anúncios transformavam fotos de menores em vídeos sexuais

Uma investigação do WIRED revelou que a Meta exibiu, nos últimos meses, mais de 350 anúncios que transformavam imagens paradas de menores de idade — alguns deles indivíduos reais confirmados, incluindo um membro de uma família real europeia — em vídeos curtos simulando atos sexuais. Ao serem clicados, os anúncios direcionavam usuários a aplicativos de geração de imagens e vídeos por IA, alguns capazes de “despir” digitalmente pessoas reais.

Os anúncios, descobertos por pesquisadores do Tech Transparency Project (TTP), alcançaram mais de 29.000 contas na União Europeia e também miraram usuários nos Estados Unidos, Austrália e Índia, circulando por Facebook, Instagram e Threads.

A reação de San Francisco

O procurador municipal de San Francisco, David Chiu, enviou uma carta de quatro páginas aos advogados da Meta exigindo que a empresa pare de exibir os anúncios e explique como eles escaparam de seus sistemas de moderação. “A Meta falhou em lidar com um problema conhecido de anúncios de abuso sexual infantil gerados por IA, enquanto lucra com eles”, escreveu Chiu.

A resposta da Meta surpreendeu pelo foco: a empresa argumentou que “não há indicação” de que os anúncios tenham sido exibidos em San Francisco e, portanto, estariam “fora da jurisdição” do procurador. O porta-voz do gabinete rebateu: “Achamos a resposta da Meta surpreendente. A Meta parece menos preocupada em saber se é culpada de explorar crianças do que em determinar se San Francisco deveria opinar sobre isso.”

Moderação “lamentavelmente inadequada”

A carta destaca um ponto central: os achados “não parecem refletir uma falha isolada”. Segundo os pesquisadores, em alguns casos a Meta levou mais de uma semana para responder a denúncias, período em que os anúncios foram vistos por centenas de pessoas. Quando removidos, inicialmente não foram classificados como conteúdo de abuso sexual infantil.

A Meta afirma que os anúncios já foram removidos e que a “despesa total” com os mais de 300 anúncios ficou “abaixo de US$ 5.000”. A carta de Chiu dá à empresa 28 dias para responder e detalhar como previne, denuncia ao NCMEC e pune anunciantes reincidentes.

Por que isso importa agora

O caso expõe o fracasso sistêmico da moderação de anúncios na maior rede de publicidade do mundo — justamente quando a IA generativa torna a criação de conteúdo íntimo não consensual mais barata e acessível. Para o público brasileiro, o episódio é um alerta sobre os limites da autorregulação de plataformas e um precedente relevante para a regulação de IA e a proteção de menores na internet. A persistência do problema — novos anúncios com as mesmas crianças continuaram a circular após a denúncia — sugere que a moderação reativa, por si só, não resolve.


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