A startup suíça Flexion Robotics, fundada por ex-pesquisadores da Nvidia, desenvolveu um método de treinamento que permite que robôs humanóides realizem tarefas complexas em escritórios, como abrir portas, subir escadas e transportar caixas, sem depender de teleoperação constante. O diferencial está no uso intensivo de simulação e aprendizado por reforço, combinado com um modelo mestre de IA que coordena habilidades individuais aprendidas em ambiente virtual.
Como funciona o treinamento da Flexion
O sistema da Flexion se baseia em três camadas de IA que trabalham juntas:

- Modelo mestre de IA: analisa vídeos de humanos realizando tarefas e decide quais habilidades aplicar em cada situação.
- Simulação de habilidades: cada habilidade (abrir porta, usar elevador, pegar objetos) é treinada separadamente em simulação, usando aprendizado por reforço.
- Controle motor: gerencia locomoção, equilíbrio e movimentos dos membros, também treinado por reforço.
O CEO e cofundador Nikita Rudin descreve o uso extensivo de aprendizado por reforço como o “ingrediente secreto” do software. Cada camada, do modelo mestre ao controle motor, utiliza essa abordagem de tentativa e erro para aperfeiçoar o desempenho.
Demonstração prática: robô busca lanche no escritório
Em um vídeo de demonstração, um robô humanóide modificado da Unitree recebe o seguinte comando: “Um pacote com lanches foi entregue para a Flexion. Pegue-o usando as escadas e suba pelo elevador. Depois desembale e coloque os itens na gaveta vazia da prateleira na área de lanches.” O robô executa a tarefa de forma autônoma, combinando as habilidades de abrir portas, subir escadas, usar elevador e manipular objetos.
Por que isso é diferente de outros robôs humanóides
A maioria dos vídeos de demonstração de humanóides mostra robôs treinados para uma tarefa específica, geralmente por teleoperação – um humano controlando os movimentos nos bastidores. Esse método falha em ambientes desconhecidos. A Flexion afirma que seu sistema é mais eficiente porque treina em simulação e requer instrução humana limitada.

Mercado e concorrência
Executivos como Elon Musk e Jensen Huang acreditam que humanóides terão grande impacto econômico ao substituir trabalho humano. No entanto, George Chowdhury, analista da ABI Research, ressalta que “o humanóide em si não é a coisa interessante e revolucionária, mas sim os modelos de IA que os sustentam”. A ABI Research estima que o mercado de modelos de fundação para robôs pode chegar a US$ 150 bilhões até 2036.
A Flexion colabora com várias empresas de robótica e afirma que seu software funciona em diferentes plataformas humanóides, o que pode aumentar seu valor comercial. Chowdhury alerta que a startup precisará trabalhar em estreita colaboração com fabricantes de hardware e enfrentará forte concorrência, mas sem a capacidade de programar humanóides como a Flexion demonstra, “não há realmente um mercado aqui”.
A tecnologia ainda está em estágio inicial, mas a abordagem da Flexion representa um avanço significativo na autonomia de robôs humanóides. Se bem-sucedida, pode acelerar a adoção desses robôs em escritórios e outros ambientes, reduzindo a necessidade de supervisão humana constante.
Links uteis
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- https://www.wired.com/story/humanoid-robot-training-in-chinas-hardware-capital/#intcid=_wired-article-bottom-recirc_47273ce5-100b-4a47-9491-7a476d3fd5a8_roberta-similarity1_fallback_text2vec1
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