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Resistência a data centers de IA cresce nos EUA: 75 projetos bloqueados em 3 meses

Manifestantes bloquearam 75 projetos de data centers de IA avaliados em US$ 130 bilhões nos EUA apenas no primeiro trimestre de 2026. Entenda a resistência crescente.

Resistência a data centers de IA cresce nos EUA: 75 projetos bloqueados em 3 meses

A expansão de data centers para inteligência artificial enfrenta uma onda crescente de resistência comunitária nos Estados Unidos. Entre janeiro e março de 2026, manifestantes bloquearam ou atrasaram pelo menos 75 projetos avaliados em US$ 130 bilhões, segundo um estudo da Data Center Watch, iniciativa respaldada pela empresa de segurança de IA 10a Labs.

O número de grupos de oposição ativa mais que dobrou no período, passando de 396 no final de 2025 para 833 ao final do primeiro trimestre de 2026, distribuídos por 49 estados americanos. Mais de 235 mil assinaturas de petições foram coletadas apenas nesse trimestre.

Casos emblemáticos

A resistência não é nova, mas ganhou escala e velocidade impressionantes. Em 2015, a Apple desistiu de um data center de US$ 1 bilhão em Athenry, na Irlanda, após três anos de batalhas judiciais com moradores locais preocupados com ruído, poluição luminosa e impacto ambiental.

Em 2026, o cenário é muito mais intenso. A QTS, empresa de data centers controlada pela Blackstone, abandonou planos para um campus de US$ 12 bilhões em DeForest, Wisconsin, após protestos da comunidade. Em Delaware City, um projeto em terreno de 580 acres foi barrado por reguladores estaduais com base na Lei da Zona Costeira.

Em julho, opositores conseguiram bloquear o data center “Digital Gateway” da QTS em Prince William County, Virgínia — um projeto que ocuparia 2.000 acres em um estado que já sofre com o aumento do custo de energia. O investidor Kevin O’Leary, do Shark Tank, também foi pressionado a reduzir seu ambicioso campus Project Stratos, de 40.000 acres, em Utah.

Por que isso importa

A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) projeta que a demanda comercial de energia superará a residencial pela primeira vez em 2026, impulsionada pela construção de data centers de IA. Essa demanda deve dobrar até 2027.

Para o Brasil, o cenário serve de alerta: o país tem atraído investimentos em infraestrutura de dados, mas a pressão sobre redes elétricas, recursos hídricos e comunidades locais tende a se repetir por aqui à medida que a demanda por IA cresce. O padrão americano de resistência comunitária — petições, ações judiciais e pressão política local — pode se tornar um modelo para movimentos semelhantes em outros países.



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