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Quando a memória vira o novo gargalo na engenharia de dados: Pandas, Dask e Polars

Quando adicionar mais RAM não é opção: como processar milhões de registros com Pandas chunking, Dask e Polars sem estourar a memória.

Quando a memória vira o novo gargalo na engenharia de dados: Pandas, Dask e Polars
Imagem de apoio. Fonte: Towards Data Science.

Na era da inteligência artificial, a memória se tornou um recurso crítico. Empresas como Micron Technology e Sandisk têm atraído atenção sem precedentes e aumentado preços com forte poder de precificação. Mas para engenheiros de dados que constroem aplicações intensivas, a velha resposta de “adicione mais capacidade” simplesmente não funciona mais quando os orçamentos não acompanham o volume de dados.

O que fazer quando o conjunto de dados dobra mas o cluster não? Um novo artigo prático da Towards Data Science mostra três abordagens progressivas para processar 6,2 milhões de registros de redes sociais sem estourar a memória disponível.

O problema: 6,2 milhões de linhas com tipos mistos

O desafio começa com dados extraídos de uma API de rede social: após o flattening do JSON, 200 colunas com tipos mistos — contagens de reação que podem ser número, string ou null; listas de hashtags que podem ser array, string única ou null. O dataset consome aproximadamente 30 GB, mais do que a instância de memória padrão de um worker na nuvem.

Diferentemente do PySpark, que exige um schema consistente, o Pandas armazena essas colunas como object e não exige que cada linha obedeça ao mesmo schema. Mas o processamento simples com astype(str) falha: a memória se esgota durante as transformações intermediárias do DataFrame.

Solução 1: Chunking manual com Pandas

A técnica de chunking divide cada coluna em blocos — neste caso, 250 mil linhas por vez. O Pandas processa um chunk, libera a memória e avança para o próximo. O pico de memória cai drasticamente e a pipeline se estabiliza. A contrapartida: o tempo de execução aumenta significativamente, já que o chunking usa um único núcleo de CPU e exige um loop manual para agregar os resultados.

Solução 2: Dask e execução paralela automática

O Dask particiona automaticamente o DataFrame e constrói um grafo de tarefas que agenda partições entre os núcleos de CPU disponíveis, reduzindo o tempo de execução. Porém, há uma armadilha: como um Dask DataFrame é composto por múltiplos DataFrames Pandas, se uma coluna contiver valores inconsistentes (strings vazias, None, inteiros, strings), o Dask provavelmente levantará um erro ao inferir o tipo de dados da amostra inicial. A solução é especificar explicitamente os tipos de coluna esperados em vez de depender da inferência automática.

Solução 3: Polars, o motor Rust com API Python

O Polars é uma biblioteca de DataFrame implementada em Rust com API Python. Ele usa o formato colunar Apache Arrow, que minimiza cópias de memória enquanto maximiza a eficiência do cache da CPU. Executa a operação .cast(pl.String) diretamente em código Rust nativo — várias vezes mais rápido que Python e usando apenas uma fração da memória.

Além disso, o Polars constrói um plano de consulta lazy e o otimizador determina o plano de execução mais eficiente antes de ler os dados. No modo streaming, processa os dados sem carregar o dataset inteiro em RAM. O único ponto de atenção é que colunas com tipos muito inconsistentes exigem declaração explícita de schema.

Qual escolher?

Para pipelines estabelecidas com orçamento de engenharia limitado, o chunking com Pandas é a opção mais simples e previsível. Quando há múltiplos núcleos disponíveis e o schema é relativamente estável, o Dask oferece bom equilíbrio entre desempenho e familiaridade. Para novos projetos que exigem velocidade máxima com consumo mínimo de memória, o Polars é a recomendação mais forte — especialmente em ambientes de nuvem onde cada byte de RAM tem custo.


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Sobre o autorRedação Noticiai

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