Prentis: novo laboratório de IA cofundado por Reid Hoffman quer captar US$ 100 milhões para “computer use”
Um novo laboratório de pesquisa em inteligência artificial chamado Prentis está em negociações para levantar US$ 100 milhões em sua primeira rodada de financiamento, segundo apuração exclusiva do TechCrunch. A startup foi cofundada por dois nomes de peso do Vale do Silício: Reid Hoffman (cofundador do LinkedIn e parceiro da Greylock) e Marc Pincus (fundador da Zynga).
O Prentis é classificado como um “neolab” — um novo tipo de empresa de IA que combina pesquisa fundamental com aplicação comercial, no estilo da OpenAI e da Anthropic. A tese central da empresa é de que a automação de tarefas rotineiras de computador vai ultrapassar a codificação como o maior caso de uso da inteligência artificial nos próximos anos.
O que é “computer use” e por que o Prentis aposta nisso
O termo “computer use” (uso de computador) descreve a capacidade de sistemas de IA de interagir com interfaces gráficas como um humano faria: clicar botões, preencher formulários, navegar entre aplicativos, ler telas e executar fluxos de trabalho completos em sistemas corporativos como ERPs, CRMs e plataformas de e-commerce.
Diferente do coding — em que a IA escreve software — o computer use resolve o problema de integrar sistemas que não têm API. A maioria dos processos administrativos e operacionais de empresas ainda depende de pessoas clicando em interfaces, e a aposta do Prentis é que modelos de IA já são capazes de assumir parte significativa desse trabalho.
Quem está envolvido
Reid Hoffman é um dos investidores mais influentes em IA. Além de cofundar o LinkedIn, foi investidor inicial da OpenAI e integrou o conselho da empresa até 2023. Também cofundou a Inflection AI (criadora do Pi) e a Manas AI, startup de descoberta de medicamentos que levantou US$ 24,6 milhões em 2025.
Marc Pincus é conhecido por fundar a Zynga, empresa de jogos sociais responsável por FarmVille e Words With Friends, que chegou a valer US$ 7 bilhões em seu IPO de 2011. Mais recentemente, Pincus esteve envolvido com a Reinvent Technology Partners, um SPAC que levou a Hippo Insurance à bolsa.
A rodada de US$ 100 milhões está em fase de negociação, sem valor fechado ou prazo confirmado. O valor é condizente com outras captações recentes de neolabs de IA em estágio inicial — a Safe Superintelligence Inc. (SSI), de Ilya Sutskever, levantou US$ 1 bilhão em 2024, e a Thinking Machines Lab, de Mira Murati, captou US$ 2 bilhões.
O contexto competitivo
O espaço de “computer use” vem esquentando. A Anthropic lançou o recurso de computer use no Claude em outubro de 2024, e a OpenAI lançou o Operator em janeiro de 2025. O Google também entrou no segmento com o Project Mariner. A maioria dessas soluções, porém, ainda está em fase experimental ou beta.
A aposta do Prentis é que existe espaço para um laboratório dedicado exclusivamente a essa vertical, com pesquisa fundamental que vá além dos recursos incrementais que as big techs estão adicionando aos seus modelos generalistas.
Por que isso importa para o Brasil
No mercado brasileiro, onde processos fiscais, tributários e de compliance geram volumes enormes de trabalho manual em interfaces proprietárias, a automação via computer use tem potencial de impacto ainda maior que coding assistido por IA. Empresas como Totvs, SAP Brasil e Oracle operam sistemas com décadas de código legado que dificilmente serão reescritos — mas que podem ser operados por agentes de IA treinados para interagir com suas interfaces.
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