A marca dos US$ 100 bilhões
A Nvidia está a poucos meses de entrar em um clube extremamente restrito. A empresa projeta faturar US$ 108 bilhões em receita em um único trimestre — o que a colocaria ao lado de Amazon, Apple e Alphabet, as únicas companhias que já ultrapassaram repetidamente a marca de US$ 100 bilhões em receita trimestral.
Os números do trimestre recorde
No último balanço, a Nvidia reportou receita recorde de US$ 96,2 bilhões, um salto de mais de US$ 10 bilhões em relação ao trimestre anterior. Só a receita de data centers mais que dobrou na comparação anual, chegando a US$ 89 bilhões, e o lucro mais que dobrou, para US$ 59,7 bilhões.
A categoria de edge computing, que inclui o negócio de placas para consumidores e games, respondeu por apenas US$ 7,2 bilhões — um crescimento de 27% na comparação anual. A própria Nvidia reconheceu vendas de PCs mais lentas, pressionadas por preços elevados de memória e de sistemas.
O problema dos componentes
A escassez de componentes continua a elevar os preços das GPUs de consumo. E, antes da divulgação do balanço, a empresa também alertou para aumentos de preço em seus chips de IA.
O contraste é revelador: enquanto o segmento de consumidores cresce em ritmo moderado e enfrenta pressão de custos, é o data center — impulsionado pela demanda de treinamento e execução de modelos — que sustenta praticamente todo o resultado da companhia.
Por que isso importa agora
Cruzar a barreira dos US$ 100 bilhões trimestrais não é só um marco simbólico. Ele mede a velocidade com que a infraestrutura de IA se tornou o motor financeiro mais concentrado da indústria de tecnologia. Em poucos anos, a Nvidia saiu de fabricante de placas de vídeo para a empresa que fornece o combustível da era da IA generativa e agêntica.
O alerta de alta nos preços dos chips de IA também sinaliza que a escassez de oferta — não a falta de demanda — segue sendo o principal gargalo do setor.
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