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Nvidia quer transformar chips em classe de ativo — e a conta pode não fechar

Nvidia, BlackRock e Goldman querem transformar chips em classe de ativo com US$ 500 bi. Mas a conta não fecha, alerta o The Verge.

Nvidia quer transformar chips em classe de ativo — e a conta pode não fechar

US$ 500 bilhões para transformar chips em ativo financeiro

A Nvidia está trabalhando com gigantes do mercado financeiro — Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR — para estruturar US$ 500 bilhões em financiamento com um objetivo ambicioso: transformar capacidade de computação em uma nova classe de ativos negociáveis, à semelhança do que aconteceu com imóveis e outros bens de infraestrutura.

“É a primeira vez que chips de tecnologia se tornam uma classe de ativo investível”, disse o CEO Jensen Huang à CNBC. “São ativos que geram receita agora. São produtivos, têm vida longa, são fungíveis, são flexíveis.”

A contradição que causa “chicote”

O problema, aponta o The Verge, é que Huang dizia algo bem diferente no ano passado sobre os chips Hopper, da geração anterior. “Quando o Blackwell começar a ser enviado em volume, vocês não conseguirão nem dar um Hopper de graça”, afirmou ele na conferência de IA da empresa. Agora, ouvir que chips são “ativos que geram receita” e têm “vida longa” soa contraditório.

Curiosamente, o aluguel de chips antigos está subindo de preço — a Silicon Data projeta alta contínua até 2028. Um provedor de nuvem quase dobrou os preços dos chips Blackwell B200 para um cliente na renovação de contrato.

O fantasma das hipotecas subprime

A analogia que mais preocupa vem do próprio Larry Fink, CEO da BlackRock: “É o começo, como quando comecei no mercado de títulos lastreados em hipotecas nos anos 1970. Vejo isso como o próximo futuro da engenharia financeira.”

Para quem tem memória, o alerta soa: os títulos lastreados em hipotecas quebraram em 2008 quando as hipotecas foram produzidas em excesso. O ex-gestor de fundos Mark Rubinstein lembra exatamente disso — e aponta riscos parecidos agora: o setor de IA está saturando de data centers, e os modelos chineses de código aberto exigem menos computação apesar de serem bastante poderosos. Há ainda a pergunta mais básica de todas: os laboratórios de fronteira como Anthropic e OpenAI, que puxam a demanda atual, conseguem lucrar?

Um acordo que pode não acontecer

Vale um lembrete importante: nada disso é um negócio fechado. São memorandos de entendimento. No ano passado, a Nvidia assinou um memorando de US$ 100 bilhões para investir na OpenAI — que, na prática, não aconteceu. O detalhe dos memorandos é exatamente esse: permitem um grande anúncio sem que a concretização seja obrigatória.

Mesmo como balão de ensaio, porém, a movimentação revela algo importante sobre o futuro da infraestrutura de IA. Huang insiste que “compute da Nvidia não é só um chip” — há o software CUDA por trás, que transforma silício em “fábricas de IA”. A questão que fica é se o mercado financeiro conseguirá precificar essa promessa sem repetir os erros do passado.


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