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A Nvidia anunciou nesta segunda-feira (17) um investimento de US$ 1,5 bilhão na SB Energy, desenvolvedora de data centers ligada à SoftBank e à OpenAI. O aporte garante que a Nvidia seja a fornecedora exclusiva de infraestrutura de computação no data center Ports-Pike, que a OpenAI constrói perto de Cincinnati, no estado americano de Ohio.
Além do investimento direto, a Nvidia vai oferecer até US$ 105 bilhões em crédito para ajudar a construir a instalação, que pode saltar de uma capacidade inicial de 4,25 gigawatts para 8 gigawatts, segundo documentos enviados à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos.
Quem está por trás do projeto
A SB Energy já tem entre seus investidores a SoftBank e a própria OpenAI. A SoftBank, vale lembrar, havia acumulado US$ 5,8 bilhões em ações da Nvidia — posição vendida em novembro para financiar outros investimentos em inteligência artificial.
O projeto é ambicioso também no quesito energia: a SB Energy planeja construir uma usina de gás natural de 9,2 gigawatts no local, que pertence ao Departamento de Energia dos EUA e que, no passado, enriqueceu urânio para o arsenal nuclear americano e para submarinos da Marinha.
O custo (e o gargalo) da energia
A usina deve custar cerca de US$ 33 bilhões. O valor elevado reflete a disparada dos custos de construção de usinas a gás natural, que subiram 66% nos últimos dois anos, de acordo com a BloombergNEF.
Há ainda um risco de mercado: quando a usina da SB Energy e outras ficarem prontas, elas vão competir por gás natural com o setor de exportação — uma confluência que poderia triplicar o preço do gás em algumas regiões do país.
Por que isso importa agora
O movimento ilustra a corrida sem precedentes por energia e capacidade computacional para sustentar a próxima geração de modelos de IA. Data centers de hiperescala deixaram de ser um detalhe logístico e viraram o próprio gargalo da indústria: sem eletricidade e chips suficientes, não há como treinar nem servir os grandes modelos.
Para a Nvidia, o investimento também tem lógica estratégica: ao financiar a infraestrutura que a OpenAI usará, a empresa amarra seu ecossistema de GPUs a um dos maiores clientes de computação do mundo — ao mesmo tempo em que se posiciona como credora da própria expansão da IA.
Para o leitor brasileiro, o caso sinaliza que o custo real da IA não está apenas no software, mas em megawatts, gasodutos e bilhões de dólares em infraestrutura — um ciclo que deve continuar pressionando preços e prazos em todo o setor.
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