A Nokia lançou nesta terça-feira (15) sua plataforma AI-RAN, que promete ser a primeira arquitetura de rede de rádio comercial nativa em IA do setor. Construída sobre o software anyRAN da Nokia e o sistema NVIDIA Aerial, a plataforma já demonstrou ganhos de mais de 20% em eficiência espectral em testes, com meta de 50% até 2027 e mais de 100% até 2028 — o que significaria dobrar a capacidade do espectro existente.
Três modelos de implantação
Diferente da abordagem tradicional de substituir hardware, as operadoras poderão adquirir a capacidade via assinatura de software, com três opções de implantação:
- Placa plug-in com GPU para sites AirScale existentes
- Nó AI-RAN independente dedicado
- Servidor em nuvem entregue por parceiros
Os pilotos começam no final de 2026, com disponibilidade comercial prevista para 2027. A Omdia estima que a oportunidade acumulada de AI-RAN ultrapasse US$ 200 bilhões até 2030.
A volta por cima do negócio mais frágil da Nokia
Para além do produto, o movimento é estratégico. O segmento de rádio tem sido o maior desafio do CEO Justin Hotard desde que assumiu em 2025. Em novembro, ele admitiu a investidores que o negócio móvel não entregava retornos aceitáveis, integrando-o a um novo segmento de Infraestrutura Móvel.
A parceria com a NVIDIA, anunciada em outubro de 2025 com investimento de US$ 1 bilhão por cerca de 3% de participação, é o centro dessa reparação. Ao construir sobre o silício e o software CUDA da NVIDIA em vez de seus próprios chips, a Nokia reduz P&D interna e redireciona investimentos para software — uma mudança que Hotard descreve como “abandonar o modelo legado de hardware”.
As ações da Nokia subiram fortemente em 2026 com o impulso de IA e nuvem, e o lançamento do AI-RAN ocorre dias antes dos resultados do segundo trimestre.
Primeiro mesmo? A disputa com a Ericsson
O rótulo de “primeiro da indústria” merece contexto. Em junho, a Ericsson começou a vender uma assinatura de software AI-in-RAN que entrega até 20% mais throughput de downlink e até 10% melhor eficiência espectral — rodando no silício de banda base existente, sem GPU.
A diferença é arquitetural: a Nokia vinculou seu roadmap de rádio à NVIDIA, com software de Camada 1 ligado ao hardware subjacente. A Ericsson manteve seus recursos de IA independentes de silício, evitando dependência de fornecedor. A Nokia responde apontando para o silício da Marvell em seu ecossistema mais amplo e descreve a plataforma como compatível com Open RAN.
“Nada disso torna a estratégia errada”, observa o AI News. “Terceirizar a corrida do silício para o fornecedor dominante de chips de IA é uma resposta defensável para um negócio que a Nokia lutava para consertar sozinha, e o modelo de assinatura dá ao rádio a receita recorrente que seus ciclos de hardware nunca tiveram.”
Mas a plataforma ainda não é comercial, os números principais de eficiência estão a dois anos de distância, e pelo menos um grande rival chegou ao mercado primeiro por um caminho diferente. Para a Nokia, é uma recuperação em andamento, não uma vitória já conquistada — e sua trajetória agora passa, para o bem ou para o mal, pela NVIDIA.
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