O que está em jogo
A Meta enfrenta uma nova ação coletiva nos Estados Unidos acusando a empresa de usar, sem consentimento, fotos do Facebook e do Instagram para treinar seus modelos de geração de imagem e alimentar um sistema de reconhecimento facial conhecido como NameTag. O processo alega violação de leis de privacidade biométrica de Illinois e da Califórnia.
O sistema NameTag e os óculos inteligentes
Em junho, a WIRED revelou que o código do NameTag havia sido embutido de forma discreta no app de IA dos óculos da Meta, baixado mais de 50 milhões de vezes. Embora o recurso não tivesse sido ativado para os usuários, a análise mostrou que o sistema foi desenhado para transformar rostos capturados pelos óculos em assinaturas biométricas e compará-las a “faceprints” armazenados no celular do usuário.
Segundo a acusação, esses faceprints podem ter sido derivados de imagens do Facebook e do Instagram. A queixa cita relatos de que o NameTag reconheceria pessoas por meio de conexões da Meta ou contas públicas do Instagram, além de uma patente da companhia descrevendo a comparação facial com fotos de perfil.
Treinamento de IA sob escrutínio
O processo também mira os sistemas de geração de imagem da Meta. A empresa já admitiu treinar o modelo Emu com grandes volumes de imagens e textos do Facebook e do Instagram — o que o diretor de produto Chris Cox chegou a chamar de “vantagem de dados”. A queixa sustenta que esse treinamento colheu ilegalmente dados biométricos das pessoas que aparecem nas fotos.
A resposta da Meta
Em nota, um porta-voz classificou a ação como “sem mérito” e afirmou que a empresa tem sido transparente sobre o uso de dados. Sobre o NameTag, a companhia disse que “nada foi enviado aos consumidores e nenhuma decisão final foi tomada”. A Meta nega estar construindo um banco de faces universal.
Histórico de multas biométricas
Não é a primeira vez que a Meta enfrenta penalidades por dados biométricos. Em 2020, a empresa pagou US$ 650 milhões para encerrar uma ação coletiva em Illinois sobre um sistema anterior de reconhecimento facial. Em 2024, concordou em pagar US$ 1,4 bilhão ao Texas por acusações semelhantes. Pela lei de Illinois, os autores buscam até US$ 5.000 por violação intencional — e a classe nacional pode chegar a milhões de pessoas.
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