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IA reduz descoberta de medicamentos para 9 meses na China, diz CEO da Insilico Medicine

Insilico Medicine reduz tempo de descoberta de candidatos a medicamentos de 4,5 anos para cerca de 1 ano com IA generativa, enquanto Rentosertib avança para Fase III na China.

IA reduz descoberta de medicamentos para 9 meses na China, diz CEO da Insilico Medicine

Da descoberta ao candidato em 9 meses

A Insilico Medicine, empresa de biotecnologia listada em Hong Kong, está conseguindo reduzir o tempo de descoberta de candidatos a medicamentos para cerca de um ano combinando inteligência artificial com pesquisa laboratorial na China. O programa mais rápido da companhia alcançou a nomeação de candidato em apenas nove meses, enquanto a média é de 13 meses — muito abaixo dos quatro anos e meio que as abordagens convencionais levam para a mesma etapa.

Os números foram divulgados pelo CEO Alex Zhavoronkov em entrevista recente. É importante destacar que o cronograma cobre apenas a descoberta inicial e a seleção de candidatos, não o processo completo de desenvolvimento de um medicamento. Testes clínicos, fabricação e revisão regulatória continuam sendo etapas separadas e demoradas.

Como a IA acelera a seleção de candidatos

A Insilico usa IA generativa para três tarefas principais: identificar alvos biológicos, projetar moléculas candidatas e avaliar quais compostos devem avançar para testes em laboratório. O fluxo de trabalho combina designs gerados por IA com revisão de pesquisadores humanos e validação experimental.

Em números: os programas da empresa chegam à nomeação de candidato pré-clínico em 12 a 18 meses, após sintetizar e testar entre 60 e 200 moléculas. Desde 2021, a Insilico gerou 31 candidatos pré-clínicos, com 13 programas recebendo autorização para avançar para estudos em humanos.

A pesquisa em IA é conduzida em Montreal e Abu Dhabi, enquanto a validação experimental e a escala laboratorial acontecem na China. A instalação de Xangai automatizou partes da triagem biológica e de compostos.

Rentosertib: primeira aposta em Fase III

O programa mais avançado da Insilico é o Rentosertib, um medicamento oral para fibrose pulmonar idiopática — doença que causa cicatrização progressiva dos pulmões. A Fase III foi anunciada e registrada em julho de 2026.

O estudo planeja inscrever 320 participantes em 47 centros na China, comparando o Rentosertib com placebo ao longo de 52 semanas. O recrutamento deve começar em agosto de 2026, com conclusão primária estimada para outubro de 2029.

Vale notar: nenhum medicamento da Insilico recebeu ainda aprovação comercial. A nomeação de candidato é um marco inicial — ainda há testes pré-clínicos, estudos em humanos, validação de fabricação e revisão regulatória pela frente. Ainda não está estabelecido se medicamentos projetados por IA têm mais chance de sucesso em testes clínicos de fase avançada.

A vantagem da infraestrutura chinesa

Zhavoronkov atribui parte do ciclo de desenvolvimento mais curto à infraestrutura de pesquisa, custos operacionais e ambiente regulatório da China. Um executivo da Pfizer chegou a afirmar que o desenvolvimento clínico no país pode ser três vezes mais rápido e custar metade do que na Europa.

A China introduziu em 2025 uma via de revisão de 30 dias úteis para aplicações de ensaios clínicos de medicamentos inovadores de Classe I. Medicamentos candidatos levam de cinco a sete anos para chegar ao mercado chinês, contra pelo menos oito a dez anos nos mercados ocidentais.

“Agora competimos com as farmacêuticas chinesas em prazos e com as empresas de biotecnologia tradicionais do Ocidente em novidade”, disse Zhavoronkov.

Impacto na força de trabalho

A automação também está transformando os times da Insilico. Zhavoronkov estimou que cerca de 40% da força de trabalho de software da empresa poderia ser automatizada ou substituída por IA. Cientistas de laboratório e engenheiros de software estão sendo retreinados para gerenciar sistemas de avaliação de IA, equipamentos automatizados e robótica.

A empresa emprega aproximadamente 400 pessoas e mais de 90% de sua receita vem de farmacêuticas ocidentais. A Insilico também fechou acordos de pesquisa com Eli Lilly e Takeda, e anunciou uma aliança estratégica com a taiwanesa Bora Pharmaceuticals que pode ultrapassar US$ 2,5 bilhões.


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