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HiddenLayer capta US$ 100 milhões para proteger sistemas de IA contra ataques

Startup de segurança de IA capta US$ 100 milhões em Série B após receita recorrente crescer 10 vezes em um ano.

HiddenLayer capta US$ 100 milhões para proteger sistemas de IA contra ataques

Há três anos, quando a HiddenLayer levantou sua Série A de US$ 50 milhões, ainda era difícil apontar exemplos concretos de ataques contra sistemas de inteligência artificial em larga escala. A pergunta que pairava sobre o mercado era simples: as ameaças que a startup prometia combater realmente existiam em volume suficiente para sustentar um negócio?

O cenário mudou rápido. Hoje, empresas de segurança correm para criar produtos capazes de monitorar não apenas agentes de IA, mas também as ferramentas e complementos que eles usam. Embora ainda não haja muitas manchetes sobre agentes sendo explorados, o risco de um agente “sair dos trilhos” durante a produção é real. O resultado é um mercado em expansão acelerada: o Gartner estima que as empresas vão gastar US$ 2,83 bilhões em 2026 com produtos para proteger ferramentas de IA — alta de 83% sobre 2025 — e projeta que esse valor chegue a quase US$ 4,78 bilhões no ano que vem.

De US$ 50 milhões para US$ 100 milhões

A HiddenLayer, que cria ferramentas para proteger modelos, agentes e fluxos de trabalho de IA contra ataques adversariais, vulnerabilidades e injeção de código malicioso, aproveitou bem essa virada. Segundo o cofundador e CEO Chris Sestito, a receita recorrente anual (ARR) da companhia cresceu mais de 10 vezes no último ano, chegando à casa das “dezenas de milhões de dólares”, com mais de 90% desse crescimento vindo de novos clientes.

Para sustentar o momento, a startup de Austin, no Texas, acaba de captar US$ 100 milhões em uma Série B liderada pela Delta-v Capital, com participação de Ten Eleven Ventures, Morgan Stanley, M12 (Microsoft), Booz Allen Hamilton e outros.

O que a empresa protege hoje

A HiddenLayer continua vendendo essencialmente o que vendia em 2023 — descoberta, proteção em tempo de execução, simulação de ataques e segurança da cadeia de suprimentos — mas ampliou o escopo para cobrir injeção de prompt, manipulação de agentes e uso malicioso de ferramentas.

“Inferência continua sendo inferência”, resumiu Sestito. “Seja em um modelo de aprendizado de máquina tradicional, em IA generativa ou em um fluxo de trabalho agêntico, boa parte da nossa tecnologia continua se aplicando. Não precisamos pivotar, mas tivemos que expandir o escopo do ML tradicional para a IA generativa e agêntica.”

Um dos focos crescentes da empresa é a segurança de modelos de código aberto. Sestito destaca que a HiddenLayer analisa cerca de 50 formatos de arquivo de IA para garantir que a ferramenta que o cliente está usando é realmente o que afirma ser — combatendo o problema de “modelos escondidos dentro de modelos”.

O novo capital será direcionado principalmente a vendas e distribuição, com expansão contínua de engenharia e pesquisa, além da entrada na Europa e na região EMEA.

Concorrência pesada no horizonte

A HiddenLayer pode precisar de mais do que essa reserva, no entanto. Grandes empresas de cibersegurança — como Cisco, Palo Alto Networks e Check Point — costumam preferir comprar esse tipo de tecnologia em vez de construir, enquanto startups como Noma e Zenity já levantaram mais de US$ 100 milhões cada uma em áreas adjacentes ou sobrepostas.

Sestito reconhece que parte dos produtos da HiddenLayer pode eventualmente ser incorporada às plataformas de gigantes como Microsoft, OpenAI e AWS. A aposta da empresa, porém, é que a infraestrutura de IA crescerá na direção de governança — descoberta, identidade e controles de política — e não nas ferramentas que a HiddenLayer constrói.



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