O que mudou no WeatherNext 3
O Google DeepMind, em parceria com o Google Research, apresentou o WeatherNext 3, a nova geração do seu modelo de previsão climática por inteligência artificial. A principal diferença em relação à versão anterior é a forma como o modelo aprende: em vez de depender de simulações físicas de supercomputadores, ele ingere dados de satélite em tempo real e gera uma nova previsão a cada hora.
O resultado é uma grade global aproximadamente cinco vezes mais nítida que a do WeatherNext 2. A temperatura e a umidade, por exemplo, passam a ser visualizadas em resolução de 5 quilômetros — contra os 25 quilômetros da geração anterior, que ainda entregava previsões a cada seis horas.
Por que a resolução importa
Previsões mais finas fazem diferença concreta para quem vive perto de costas, vales e montanhas, onde temperatura e umidade mudam drasticamente em poucos quilômetros. O Google destaca que essa melhoria beneficia especialmente regiões da América Latina, África e Ásia-Pacífico, historicamente mal atendidas por previsões de alta resolução por causa do custo elevado dos modelos regionais tradicionais.
Há também uma novidade específica para o setor de energia limpa: o WeatherNext 3 prevê a velocidade do vento a 100 metros de altura — próximo da altura das turbinas — e a radiação solar sobre o solo, ajudando operadores de parques eólicos e solares a estimar a geração com mais precisão.
Precipitação com precisão inédita
Chuva e neve sempre foram o ponto fraco dos modelos globais. Para contornar isso, o WeatherNext 3 foi treinado com duas fontes de dados de precipitação de alta qualidade: o IMERG da NASA e uma reanálise própria baseada em radar de satélite. Nas avaliações de médio prazo, o Google relata uma melhora de até 60% na métrica CRPS em relação ao IMERG para os primeiros prazos.
Disponível em toda parte
O WeatherNext 3 começa a alimentar as experiências de clima na Busca do Google, no Gemini, no Google Maps, na API de clima do Google Maps Platform e no Google Earth Engine. A empresa afirma que, ao planejar com um dia ou mais de antecedência, os usuários verão previsões de precipitação até 50% mais precisas — com os maiores ganhos justamente nas regiões onde as previsões eram menos confiáveis.
Para pesquisadores e empresas, os dados também podem ser consultados via BigQuery, Earth Engine ou baixados em massa do Google Cloud Storage, sem necessidade de configurar modelos próprios.
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