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De CUDA para Apple Silicon: como o K-Search transfere décadas de conhecimento em kernels de GPU automaticamente

Pesquisadores de Berkeley usam IA evolutiva para traduzir kernels CUDA para MLX no Apple Silicon, alcançando 0,97x do desempenho de especialistas humanos e até 20x de speedup em SSMs.

De CUDA para Apple Silicon: como o K-Search transfere décadas de conhecimento em kernels de GPU automaticamente

De CUDA para Apple Silicon: como o K-Search transfere décadas de conhecimento em kernels de GPU automaticamente

Escrever kernels eficientes de GPU é uma das tarefas mais difíceis da engenharia de software — exige anos de expertise e um conhecimento profundo do hardware. O ecossistema CUDA da NVIDIA acumulou décadas de otimizações manuais para operações críticas como atenção, modelos de espaço de estados (SSMs) e roteamento MoE. Agora, pesquisadores da UC Berkeley mostram que esse conhecimento pode ser transferido automaticamente para o Apple Silicon usando o framework K-Search.

O artigo, publicado no BAIR (Berkeley Artificial Intelligence Research), descreve uma extensão do K-Search — um framework evolutivo de otimização de kernels que usa IA — com um backend para o MLX, o framework de machine learning da Apple para seus chips próprios. A inovação está em uma camada de tradução estruturada CUDA→MLX que permite reaproveitar kernels CUDA existentes como base de conhecimento, adaptando-os para Apple Silicon em vez de recriar tudo do zero.

Por que isso importa agora

O MLX teve adoção notável desde o final de 2023. Com Apple Silicon em centenas de milhões de MacBooks e Mac Studios, ele permite inferência local de IA sem custos de nuvem. A arquitetura de memória unificada é especialmente atraente para modelos médios (7B–70B parâmetros nos chips série M).

Mas há uma lacuna importante: muitos kernels de desempenho crítico que o ecossistema NVIDIA trata como commodity — atenção paginada, kernels de scan SSM otimizados, roteamento MoE fundido — ou estão ausentes no MLX ou são implementações ingênuas sem tuning específico para hardware. O MLX roda modelos corretamente, mas frequentemente deixa desempenho significativo na mesa.

Como o K-Search funciona

O K-Search é um framework de otimização evolutiva: dado um kernel simples e uma especificação de hardware, ele roda um loop iterativo onde um LLM raciocina sobre quais otimizações tentar, um modelo de geração de código produz kernels candidatos, e os candidatos são compilados e testados em hardware real.

As medições alimentam a busca, que continua refinando — perseguindo direções promissoras e descartando becos sem saída até a convergência de desempenho. Nos experimentos, um único modelo (Gemini 3.5 Pro Preview) atua tanto no raciocínio quanto na geração de código.

O raciocínio é estruturado em um “modelo de mundo” — uma árvore de decisão onde cada caminho raiz→folha compõe um plano completo de otimização. O LLM classifica o kernel (redução, scan, atenção/softmax), reescreve a computação de referência em forma canônica, mapeia padrões de acesso a dados e identifica o gargalo provável (largura de banda, latência, computação ou sincronização). Só então propõe otimizações candidatas.

A busca é guiada por uma Spec: um documento específico do domínio que codifica regras de hardware, padrões de otimização e restrições matemáticas — evitando que o código gerado alucine primitivas inválidas.

Resultados: desempenho próximo ao de especialistas humanos

Os números impressionam. A abordagem alcançou:

  • 0,97x de speedup comparado ao kernel nativo de Atenção do MLX — ou seja, desempenho praticamente equivalente ao código escrito por especialistas humanos
  • Até 20x de speedup no prefill sobre a implementação da comunidade mlx-lm para o kernel SSM Mamba

Os ganhos vêm majoritariamente da camada de tradução CUDA→MLX, que não faz tradução literal instrução-por-instrução, mas sim um mapeamento conceitual: identifica qual padrão de otimização CUDA corresponde a qual estratégia nativa no MLX (veja a figura de tradução no artigo original).

Além do Apple Silicon

Embora o foco seja MLX para Apple Silicon, o método não é específico do MLX. Ele se aplica a qualquer ecossistema onde o conhecimento CUDA possa ser transferido — aceleradores customizados de IA, novos chips, até mesmo GPUs de outros fabricantes.

Com ferramentas de código de IA gerando em minutos o que antes levava meses, e hardware mudando rapidamente com uma variedade crescente de chips de diferentes fornecedores, a capacidade de transferir expertise de otimização entre arquiteturas se torna cada vez mais estratégica.

Para desenvolvedores brasileiros que trabalham com Apple Silicon — uma base que cresce com a popularidade dos MacBooks com chips M — o K-Search + MLX representa um caminho para obter desempenho de ponta em inferência local sem depender de GPUs NVIDIA na nuvem.


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