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Databricks capta US$ 5 bilhões e alcança avaliação de US$ 190 bilhões

A empresa de dados e IA queria captar US$ 1 bilhão; investidores ofereceram US$ 15 bi. Entenda o que a rodada de US$ 5 bi diz sobre o apetite por IA.

Databricks capta US$ 5 bilhões e alcança avaliação de US$ 190 bilhões

O que aconteceu

A Databricks, uma das maiores empresas de dados e inteligência artificial do mundo, anunciou nesta quinta-feira (13) uma rodada de captação de US$ 5 bilhões que elevou sua avaliação para US$ 190 bilhões. O detalhe curioso: a companhia queria levantar apenas US$ 1 bilhão — mas a procura dos investidores foi tão forte que a operação terminou cinco vezes maior.

Uma “profecia autorrealizável”

Em entrevista ao TechCrunch, o cofundador e CEO Ali Ghodsi contou a história por trás dos números. Segundo ele, a Databricks estava focada em sua conferência de junho quando o site The Information publicou que a empresa fazia uma grande captação. “Assim que o artigo saiu, formou-se uma fila de investidores me ligando. Meu telefone explodiu. Foi o pior timing possível, porque estávamos ocupados com a conferência”, relembrou.

O resultado foi um problema dos bons: só entre o grupo seleto de investidores que a empresa considerou, havia US$ 15 bilhões de interesse. Dizer “não” a alguns apoiadores de longa data seria receita para mágoa — então a Databricks decidiu emitir mais ações e acomodar a demanda.

Quem entrou na rodada

A rodada de US$ 5 bilhões foi liderada pela Coatue, com participação de Blackstone, MGX, contas ligadas à T. Rowe Price e do novo investidor Sixth Street Growth, fundo criado pelo ex-diretor de investimentos do Goldman Sachs, Alan Waxman. Cerca de duas dúzias de fundos de venture capital foram citados como participantes.

Por que tanto apetite?

Os números explicam o entusiasmo. Ghodsi afirma que a Databricks atingiu US$ 7 bilhões de receita recorrente anualizada, crescendo 80% ao ano e já com fluxo de caixa positivo. O produto principal, o data warehouse em nuvem, responde por US$ 1,5 bilhão desse total e cresce 100% ano a ano.

Além disso, a empresa tem o “pó mágico da IA”: o Lakebase, banco de dados para agentes lançado em junho de 2025, já alcançou US$ 100 milhões de receita recorrente, e o chatbot Genie, que faz análises de negócio em tempo real, é “extremamente popular”, nas palavras do CEO.

Se o negócio vai bem, por que captar mais?

A resposta de Ghodsi é direta: IA é cara. A Databricks tem compromissos de nuvem de bilhões de dólares com os três grandes provedores de hiperescala, mantém uma equipe de pesquisa de IA com 100 pessoas e segue comprando empresas. Só neste ano, adquiriu a Electric (criadora do banco PGlite), a Panther (cibersegurança de IA) e outras duas startups em março.

Há também o contexto do mercado: rodadas de US$ 1 bilhão, antes vistas como colossais, hoje são consideradas modestas na era do investimento em IA, em que startups captam esse valor logo no seed.

E o IPO?

Ghodsi reafirmou à CNBC que ainda quer abrir o capital um dia. Por ora, porém, prefere investir em IA longe dos holofotes do mercado público — e, quando se consegue despertar US$ 15 bilhões de interesse em poucos dias, a pressa é relativa.



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