Bill Gates não quer apenas alertar sobre os riscos da IA — quer propor mecanismos concretos para reduzi-los. Em um longo ensaio publicado em seu site Gates Notes, o cofundador da Microsoft defendeu duas ideias novas que, segundo ele, poderiam mudar o debate sobre o impacto da automação no mercado de trabalho.
A primeira é o chamado “imposto sobre robôs” (robot tax). Hoje, quando uma empresa contrata um funcionário, paga impostos sobre a folha salarial. Mas, ao comprar um robô ou um sistema de IA para substituir mão de obra, o gasto costuma ser dedutível como despesa de negócio. Na prática, o sistema tributário incentiva a troca de pessoas por máquinas. Gates argumenta que um imposto sobre a automação desaceleraria essa corrida e financiaria programas de requalificação e uma rede de proteção social mais forte.
A segunda proposta é reservar certas funções como “Human Reserved” (reservadas a humanos), proibindo o uso de IA em tarefas específicas. “Você não pode dizer a um homem de 55 anos que trabalhou a vida inteira na construção que ele precisa ir trabalhar em um asilo e esperar que ele ache isso gratificante”, exemplifica. Na saúde, ele também cita a importância de um humano dar um diagnóstico difícil.
Gates se alinha ao campo da “IA responsável” e elogia a carta aberta “Pacing the Frontier”, que pede desaceleração do desenvolvimento, mas expressa ceticismo sobre a sustentabilidade dessa estratégia. Para o Brasil — onde a reforma tributária e o debate sobre automação no setor de serviços andam em paralelo —, as propostas de Gates oferecem um ponto de partida concreto para uma discussão que, por aqui, ainda engatinha.
Descubra mais sobre noticiAI
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



