A Anthropic anunciou nesta terça-feira (30) o Claude Science, um novo produto flagship posicionado ao lado do Claude Code e Claude Cowork, voltado especificamente para pesquisa científica autônoma. O lançamento foi feito durante um evento para executivos farmacêuticos, fundadores de biotech e pesquisadores.
Assim como o Claude Code automatiza tarefas de engenharia de software, o Claude Science executa trabalho científico de forma autônoma a partir de instruções de alto nível — com acesso a ferramentas especializadas em biologia computacional e desenvolvimento de fármacos. O produto já está disponível para todos os assinantes pagos do Claude.
De plug-in a produto independente
Esta não é a primeira incursão da Anthropic na ciência. Em outubro de 2025, a empresa lançou plug-ins que conectavam o Claude a software científico e bases de dados sob o guarda-chuva “Claude for Life Sciences”. Mas o Claude Science é diferente: é um produto completo e autônomo, elevado ao mesmo patamar estratégico dos carros-chefe da empresa.
“Isso representa o quanto isso é importante para nossa missão — está no mesmo nível do Claude Code e do Claude Cowork como o próximo produto realmente significativo que estamos lançando”, afirmou Eric Kauderer-Abrams, head de life sciences da Anthropic. “Nossa missão é desenvolver IA que sirva ao bem-estar de longo prazo da humanidade, e acreditamos que a maior oportunidade de fazer isso está nas ciências da vida.”
Capacidades práticas
O Claude Science não apenas escreve código, mas ajuda cientistas a executá-lo em clusters de computação de alto desempenho — algo essencial para pesquisas em biologia molecular, mas historicamente complexo de gerenciar. O sistema também prioriza reprodutibilidade, permitindo rastrear a origem de cada resultado.
Embora possa ser aplicado a qualquer área científica, o produto é claramente direcionado à biologia molecular e celular, com ênfase no desenvolvimento de medicamentos. Durante a demonstração, Alexander Tarashansky, líder de desenvolvimento do Claude Science, mostrou como o sistema identifica alvos terapêuticos de forma autônoma.
O físico Matthew Schwartz, de Harvard, estimou com base em seu trabalho com ferramentas Anthropic que o modelo Opus 4.5 já executa projetos científicos com competência equivalente à de um estudante de doutorado no segundo ano.
Pesquisa própria em doenças negligenciadas
A Anthropic não vai apenas fornecer a ferramenta — vai usá-la. A empresa anunciou que conduzirá sua própria pesquisa de candidatos a fármacos para doenças negligenciadas, tanto para avançar a ciência quanto para entender melhor como o Claude Science funciona no mundo real.
O movimento também tem lógica comercial: farmacêuticas têm orçamentos de pesquisa muito superiores aos de laboratórios acadêmicos. Com a Anthropic prestes a registrar seu primeiro trimestre lucrativo, contratos com grandes empresas do setor podem garantir a sustentabilidade financeira da companhia.
Contexto competitivo
Por uma década, o Google DeepMind dominou a interseção entre IA e ciência — o CEO Demis Hassabis e o pesquisador John Jumper ganharam o Nobel de Química pelo AlphaFold. Mas nos últimos meses, o rápido avanço da fronteira da IA parece ter deixado o DeepMind para trás. A Anthropic, liderada pelo PhD Dario Amodei, está bem posicionada para assumir esse protagonismo científico.
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