Juíza diz que governo Trump ainda não tem provas contra Anthropic
Uma juíza federal dos Estados Unidos afirmou que o governo Trump não apresentou evidências suficientes para justificar a classificação da Anthropic como “risco à cadeia de suprimentos” — designação que permite ao Departamento de Defesa proibir o uso da tecnologia da empresa de IA. A decisão foi tomada durante audiência na quinta-feira (30 de julho de 2026).
A disputa começou quando as negociações de contrato entre a Anthropic e o Pentágono travaram. A empresa de IA afirmou que não queria que sua tecnologia fosse usada para vigilância em massa de americanos ou para decisões de ataques letais, argumentando que a tecnologia ainda não estava pronta para esse tipo de uso.
O Pentágono contra-argumentou que uma empresa privada não deveria ditar como os militares usam tecnologias, e que usaria as ferramentas de forma “legal”. O governo também sustentou que as críticas públicas da Anthropic ao Departamento de Defesa justificariam a proibição.
A juíza distrital Rita Lin classificou esse argumento como “realmente preocupante”, alertando que ele poderia estabelecer um precedente de retaliação contra contratados federais que discordam da administração. O Departamento de Defesa também alegou que a Anthropic poderia desativar ou alterar seus modelos de IA durante operações de combate — alegação que especialistas consideram sem evidências. Lin concordou, dizendo que não viu provas de que a empresa pudesse “acionar algum tipo de interruptor de desligamento” em modelos já entregues.
A audiência de quinta-feira faz parte de um dos dois processos que a Anthropic moveu contra o Departamento de Defesa em março, contestando a proibição e a designação de risco. Lin, que já havia bloqueado temporariamente a proibição em março, agora avalia tornar a ordem permanente.
O caso levanta questões fundamentais sobre os limites do poder do governo em restringir tecnologias emergentes e sobre a autonomia de empresas privadas para decidir como suas criações serão usadas em contextos militares.
Descubra mais sobre noticiAI
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



