Inteligência artificial, sem ruído.
Tutoriais5 min

O que profissionais precisam saber sobre Data Science e IA, segundo Harvard Business School

Professor de Harvard explica os 7 princípios essenciais para usar dados e IA nos negócios: comece pela decisão, prepare os dados, escolha modelos simples e nunca confie cegamente em LLMs.

O que profissionais precisam saber sobre Data Science e IA, segundo Harvard Business School

Você não precisa se tornar um cientista de dados para se beneficiar da inteligência artificial e da ciência de dados. Mas precisa entender o que essas tecnologias podem fazer, onde falham e como avaliar seus resultados. Essa é a mensagem central de Iavor I. Bojinov, professor associado da Harvard Business School e co-líder dos cursos online AI for Leaders e Data Science and AI for Decision Making.

Em entrevista ao KDnuggets, Bojinov compartilhou um guia prático para profissionais que querem usar dados e IA sem se perder na tecnologia. Aqui estão os sete princípios que ele defende — e que todo profissional deveria conhecer.

1. Comece pela decisão, não pela tecnologia

O erro mais comum é começar pela ferramenta. “Queremos usar IA para análise de clientes” é vago demais. Um objetivo claro seria: “Queremos identificar clientes com risco de sair para que a equipe de retenção possa contatá-los.”

Isso conecta o modelo a um resultado mensurável e a uma ação real de negócio. Um sistema tecnicamente avançado tem pouco valor se não melhora a decisão que está por trás dele. Antes de começar qualquer projeto de IA, pergunte: qual problema será resolvido? Quem usará o resultado? Que ação será tomada? Como o sucesso será medido?

2. Entenda os dados antes de treinar o modelo

Quando um projeto começa, a primeira etapa não é treinar um modelo — é explorar os dados. A análise exploratória (EDA) revela a estrutura, qualidade, distribuições e vieses do conjunto de dados. Isso pode expor valores ausentes, registros duplicados, categorias inconsistentes e observações atípicas.

Exemplo prático: se apenas 5% dos clientes cancelam o serviço, um modelo que prevê que todos ficarão teria 95% de acurácia — e não identificaria nenhum cliente em risco. A acurácia bruta pode ser enganosa quando o problema é desbalanceado.

3. Prepare os dados com cuidado

Dados do mundo real raramente estão prontos para machine learning. A preparação envolve tratar valores ausentes, corrigir formatos, remover duplicatas, transformar categorias, selecionar features úteis e separar dados de treino dos de validação.

Profissionais também devem saber de onde os dados vieram, como foram coletados, o que pode estar faltando e se decisões anteriores introduziram viés. Na experiência de Bojinov, melhorar os dados frequentemente traz mais benefício do que trocar um algoritmo simples por um modelo mais complexo.

4. Escolha o modelo mais simples que funciona

O melhor modelo nem sempre é o mais novo, maior ou mais caro. Para dados estruturados de negócios — registros de clientes, transações, histórico de vendas — uma regressão ou árvore de decisão pode ser mais adequada do que um LLM de propósito geral. Modelos simples costumam ser mais rápidos, baratos, fáceis de explicar e simples de monitorar.

LLMs são úteis quando a tarefa envolve linguagem: resumir documentos, extrair informações, gerar rascunhos ou analisar feedback. Para previsão, classificação e dados tabulares, machine learning tradicional pode continuar sendo a melhor opção.

Antes de escolher um modelo, compare: performance preditiva, custo de treino e inferência, velocidade, escalabilidade, explicabilidade, necessidade de manutenção e custo de previsões incorretas.

5. Valide antes de confiar

Um modelo com boa performance em desenvolvimento não garante que funcionará no mundo real. Ele deve ser avaliado com dados que não foram usados no treino, e esses dados devem representar os clientes, mercados e condições em que o modelo operará.

A validação deve continuar após a implantação. Comportamentos de clientes mudam, mercados se transformam, pipelines de dados quebram e padrões que antes eram úteis podem perder relevância. Profissionais devem perguntar: como o modelo foi avaliado? Quais erros ele comete? Os dados de teste são representativos? Como a performance será monitorada ao longo do tempo?

6. Transforme análise em ação

Um dashboard que mostra o que aconteceu é útil. Um modelo preditivo que estima o que pode acontecer é melhor. Mas o verdadeiro valor está em testar o que fazer a respeito.

Prever que um cliente pode sair só tem valor quando a empresa tem uma estratégia real de retenção e consegue medir se a intervenção funciona. Evite confundir correlação com causalidade: uma feature associada ao churn não é necessariamente a razão pela qual os clientes estão saindo. O pensamento experimental — testar, medir, aprender — é mais valioso do que produzir mais previsões.

7. Trate LLMs como assistentes, não como autoridades

Modelos de linguagem tornaram a IA muito mais acessível. Eles ajudam a programar, pesquisar, resumir informações e gerar ideias. Mas linguagem fluente e confiante não é o mesmo que precisão factual.

LLMs podem interpretar contexto incorretamente, basear-se em informações desatualizadas, inventar fontes, produzir código incorreto ou ignorar vulnerabilidades de segurança. Nunca confie cegamente no que um LLM produz. Revise, verifique afirmações importantes, inspecione código gerado e teste se funciona. Quanto maiores as consequências da tarefa, mais cuidadosa deve ser a revisão.

O julgamento humano continua sendo o diferencial

Bojinov conclui que alfabetização em dados, pensamento experimental e capacidade de avaliar criticamente os resultados de IA se tornarão cada vez mais valiosos à medida que essas ferramentas se popularizarem. Profissionais não precisam se tornar especialistas em IA, mas precisam de fluência suficiente para fazer as perguntas certas, interpretar evidências, reconhecer resultados não confiáveis e entender quando uma resposta pode ser confiável.

O objetivo não é substituir o julgamento humano — é equipá-lo com melhores informações.


Descubra mais sobre noticiAI

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

R
Sobre o autorRedação Noticiai

Equipe editorial dedicada a explicar inteligência artificial com clareza, independência e contexto.