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OlmoEarth: inferência geoespacial em escala planetária com IA aberta

Plataforma do Allen Institute for AI processa terabytes de imagens de satélite com 994 GPUs em paralelo, gerando mapas continentais em 30 horas.

OlmoEarth: inferência geoespacial em escala planetária com IA aberta

OlmoEarth: inferência geoespacial em escala planetária com IA aberta

O Allen Institute for AI (Ai2) revelou os detalhes de engenharia por trás da plataforma OlmoEarth, uma infraestrutura de código aberto para inferência geoespacial em escala continental. A plataforma é capaz de processar dezenas de terabytes de imagens de satélite e gerar mapas de risco de incêndio, desmatamento e segurança alimentar para áreas do tamanho da América do Norte em cerca de 30 horas.

Construída sobre os modelos OlmoEarth — uma família de modelos fundacionais para observação da Terra treinados em aproximadamente 10 terabytes de dados multimodais de satélite —, a plataforma resolve um dos maiores gargalos da IA geoespacial: operacionalizar a inferência em larga escala para organizações que não têm equipes de engenharia robustas.

Como a plataforma funciona

A arquitetura do OlmoEarth divide cada job de inferência em três estágios com hardware otimizado:

  1. Aquisição e pré-processamento (CPU, alto I/O): busca, realinha e normaliza as imagens de satélite de múltiplos provedores, escrevendo os dados em formato otimizado para leitura rápida.
  2. Inferência (GPU): executa o forward pass do modelo, com workers paralelos alimentando cada GPU continuamente.
  3. Pós-processamento (CPU): combina as predições por janela, aplica máscaras e exporta em formatos como GeoTIFF, Zarr ou GeoJSON.

Em um teste recente gerando um mapa de risco de incêndios florestais cobrindo toda a América do Norte, a plataforma usou 19.600 CPUs e 994 GPUs em paralelo, com throughput de rede superior a 168 GB/s. O que levaria 4.737 horas em processamento serial foi concluído em 30,5 horas — um ganho de 155×.

O desafio da escala

Diferente de modelos de linguagem que processam alguns megabytes de texto, a inferência geoespacial move terabytes de dados. Uma única imagem de satélite pode envolver múltiplas bandas espectrais, diferentes projeções e resoluções, e dados faltantes (nuvens, sombras). A plataforma gerencia tudo isso automaticamente, com índice próprio de metadados que evita sobrecarregar APIs públicas como as da ESA e do Microsoft Planetary Computer.

O sistema também foi projetado para tolerância a falhas: cada tarefa é reiniciável e idempotente, com retry automático, fallback para provedores alternativos e distinção clara entre erros recuperáveis e fatais.

O futuro: agentes, embeddings e democratização

O roadmap inclui agentes de IA para baixar a barreira de entrada — permitindo que usuários sem experiência em ML façam curadoria de dados, engenharia de features e identifiquem melhorias em modelos. Também estão previstos embeddings pré-computados em escala global, detecção automática de mudanças com alertas, e suporte para execução em múltiplas nuvens ou na infraestrutura do próprio parceiro.

Para o Brasil — país com dimensões continentais, desafios de monitoramento ambiental e um agronegócio que depende de dados geoespaciais —, plataformas como o OlmoEarth representam uma oportunidade de usar IA de ponta para monitorar desmatamento, prever safras e gerenciar recursos hídricos sem depender de soluções proprietárias.


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