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Kimi acirra a guerra fria da IA: modelo chinês gratuito divide o círculo de Trump

Modelo gratuito da chinesa Moonshot rivaliza com OpenAI e Anthropic, expondo divisões no governo Trump sobre como responder à ameaça chinesa na inteligência artificial.

Kimi acirra a guerra fria da IA: modelo chinês gratuito divide o círculo de Trump

Kimi acirra a guerra fria da IA: modelo chinês gratuito divide o círculo de Trump

O lançamento do Kimi, modelo gratuito e open source da chinesa Moonshot, desencadeou uma crise no alto escalão de inteligência artificial do governo Trump. O modelo rivaliza com os sistemas pagos da OpenAI e Anthropic — e está de graça. O problema é maior do que preço: é existencial para a estratégia econômica e geopolítica americana.

No fim de semana, David Sacks, ex-“czar” de IA e cripto do presidente até março, chamou os modelos da Anthropic de “lobotomizados” e “woke”. Emil Michael, alto funcionário do Pentágono, rebateu classificando o novo chefe de futuros estratégicos da OpenAI como “idiota supremo da aldeia”. A briga pública expõe uma administração sem consenso sobre como lidar com a ameaça chinesa.

A cada novo modelo inteligente e gratuito da China, empresas americanas têm menos motivo para pagar pelo acesso aos sistemas da OpenAI e Anthropic. Como o entusiasmo por essas empresas impulsiona uma parcela desproporcional do crescimento econômico, Anton Leicht, do Carnegie Endowment, resume: “são uma ameaça para uma administração que realmente não quer mais más notícias econômicas”. As bolsas americanas já sentiram o impacto.

Duas visões em confronto

De um lado, Sacks defende que modelos chineses ganham tração porque vêm com menos restrições de uso — e que o governo não deveria eliminar a concorrência open source para proteger empresas estabelecidas. Do outro, a corrente dominante na Casa Branca agora vê a IA como questão de segurança nacional que exige intervenção federal.

Essa segunda visão alimentou um novo processo de revisão da Casa Branca que avalia a segurança de modelos antes do lançamento. Dean Ball, ex-assessor de Trump que hoje trabalha na OpenAI, criticou o mecanismo como um “regime de licenciamento de fato para IA de fronteira”. Michael respondeu chamando Ball de “idiota supremo da aldeia” e insistindo que o caminho correto é o “processo democrático, não algum esquema do Deep State”.

O que ninguém explica: como a Kimi ficou tão boa?

Durante os governos Biden e Trump, impedir o acesso da China aos chips de ponta foi prioridade. Os controles de exportação afrouxaram — Trump permitiu que a Nvidia vendesse mais chips à China, com o governo americano levando uma fatia. Há alegações de contrabando de semicondutores, mas ninguém sabe ao certo com quais chips a Moonshot treinou o Kimi.

A hipótese mais provável envolve destilação: treinar modelos com as saídas de modelos existentes, prática que OpenAI e Anthropic denunciam há anos. Em abril, a administração Trump anunciou medidas para coibi-la. Mas o Kimi está no ar, de graça, quase tão bom quanto o modelo da Anthropic que o governo americano considerou tão perigoso que chegou a ser brevemente bloqueado.

Em uma semana em que Nova York impôs a primeira proibição estadual de novos data centers, fica claro que a pressão sobre as big techs americanas só aumenta — de dentro e de fora.


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