Celular de luxo de US$ 6.880 aposta em agente de IA para substituir assistente executivo
A fabricante britânica de celulares de luxo Vertu está apostando que executivos pagarão US$ 6.880 por um smartphone dobrável que não promete a melhor câmera nem o processador mais rápido, mas sim um agente de IA capaz de automatizar tarefas do dia a dia corporativo. O TechCrunch testou o Vertu Alphafold e descobriu que o agente Hermes Agent — construído sobre o projeto open-source Hermes — é ambicioso, mas ainda inconsistente.
O que o Hermes Agent promete
Diferente de assistentes como Gemini ou Siri, que respondem a perguntas pontuais, o Hermes Agent foi projetado para executar fluxos de trabalho com várias etapas: analisar planilhas, planejar viagens de negócios, gerenciar agendas e automatizar ações entre aplicativos. A Vertu vende o Alphafold como uma plataforma de negócios, não apenas um telefone premium — a empresa demonstrou um sistema ERP integrado que dá acesso a dados corporativos diretamente do dispositivo.
O aparelho em si é envolto em couro de vitelo legítimo com detalhes em titânio, pesando 264 gramas — mais pesado que o Galaxy Z Fold 7 (215g). A embalagem lembra mais um estojo de joias do que uma caixa de smartphone, reforçando o posicionamento de luxo.
Testes práticos: autonomia vs. precisão
O TechCrunch simulou cenários reais de um executivo. Em um teste, o jornalista pediu ao Hermes para avisar um contato que estava atrasado, navegar até o aeroporto, ativar o modo “Não Perturbe” e criar um lembrete. O agente fez quase tudo — mas criou o lembrete para 21h08 em vez de 15 minutos depois do pedido. Já o Gemini, no Galaxy Z Fold 7, fez perguntas de confirmação antes de agir e acertou o horário.
Em outro teste, ao pedir uma viagem de negócios Mumbai-Pune, o Hermes não encontrou voos diretos e ofereceu acionar o concierge humano da Vertu — mas agendou o evento no calendário para a data errada. O Gemini continuou sugerindo rotas alternativas.
“O Hermes Agent é um assistente de IA ambicioso, não um produto finalizado”, concluiu o TechCrunch. “Sua disposição para agir de forma autônoma frequentemente o fazia parecer mais um agente do que o Gemini, mas essa mesma abordagem ocasionalmente produzia fluxos de trabalho incompletos.”
Por dentro do hardware
O TechCrunch notou semelhanças impressionantes entre o Alphafold e o ZTE Nubia Fold de US$ 1.100 — desde o design da dobradiça até o posicionamento dos alto-falantes e do leitor de digitais. A Vertu confirmou que o dispositivo foi desenvolvido em parceria com a cadeia de suprimentos da ZTE/Nubia, mas afirma ser responsável pelos materiais de luxo, software e controle de qualidade. Não é a primeira vez: em 2023, a Wired já havia reportado que o MetaVertu era baseado em hardware da ZTE.
Segurança como argumento de venda
Para executivos que analisam contratos e relatórios financeiros no celular, a Vertu oferece um chip de segurança dedicado “A5” com criptografia em nível de hardware, além da opção de processar dados em infraestrutura privada. A empresa afirma que as conversas com o Hermes Agent são criptografadas e não são usadas para treinar modelos públicos de IA.
Por que isso importa para o mercado brasileiro
O Alphafold ilustra uma tendência mais ampla: a transição de assistentes de IA reativos para agentes proativos. Enquanto Apple, Samsung e Google correm para integrar IA em celulares de massa, a Vertu testa o limite superior — quanto um executivo pagaria por um agente que realmente automatiza seu dia? A resposta, por enquanto, parece ser “menos do que o preço cobrado justifica”, mas a direção está clara. O mercado de agentes de IA para produtividade executiva está apenas começando, e a Vertu, apesar dos tropeços, está na vanguarda dessa aposta.
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