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Funcionários da OpenAI financiam Super PAC rival em disputa sobre regulação de IA

Funcionários da OpenAI doaram mais de US$ 215 mil para um Super PAC que defende regulação de IA, em oposição direta ao comitê político apoiado pelo presidente da empresa, Greg Brockman.

Funcionários da OpenAI financiam Super PAC rival em disputa sobre regulação de IA

Um grupo de funcionários da OpenAI está usando o próprio dinheiro para financiar um Super PAC que faz oposição direta ao comitê político apoiado pelo presidente da empresa, Greg Brockman. Sete funcionários atuais e um ex-funcionário doaram para a Guardrails Alliance, uma organização que defende regulação mais rigorosa para inteligência artificial nos Estados Unidos.

A disputa milionária nos bastidores

A maior doação individual veio de Juan Felipe Cerón Uribe, engenheiro de pesquisa da OpenAI desde 2022, que contribuiu com US$ 200 mil (cerca de R$ 1,1 milhão). Cerón Uribe passou os últimos quatro anos trabalhando em estratégias para mitigar danos sociais causados por IA.

“Fiquei preocupado que toda essa pesquisa fosse desperdiçada se não se traduzisse em salvaguardas que responsabilizem empresas privadas pelo desenvolvimento responsável da IA”, afirmou em declaração à WIRED. “Bilionários da tecnologia, como Greg Brockman, financiaram o Super PAC Leading the Future para manter a IA desregulada. Fiquei muito feliz ao saber que a Guardrails Alliance está reagindo.”

Outros doadores incluem Gabriel Wu, pesquisador de segurança da OpenAI (US$ 5 mil), Julie Steele e Jason Wolfe, pesquisadores de alinhamento de IA (US$ 5 mil cada), e David Farhi, ex-gerente de pesquisa que deixou a empresa após sete anos (US$ 3 mil).

David contra Golias: US$ 15 milhões versus US$ 50 milhões

A Guardrails Alliance tem meta de arrecadar US$ 15 milhões neste ciclo eleitoral — valor modesto comparado aos US$ 50 milhões que Brockman e sua esposa Anna já comprometeram com o Leading the Future, Super PAC que se opõe a “políticas que sufocam a inovação” em IA.

Shaunna Thomas, cofundadora da Guardrails Alliance e organizadora política democrata de longa data, não se intimida com a disparidade financeira. “Chegar a US$ 15 milhões nos permite seguir o Leading the Future em mais disputas eleitorais. Não precisamos igualar dólar por dólar. Quando você expõe o que esses PACs de IA estão fazendo, as pessoas rejeitam.”

O campo de batalha eleitoral

O Leading the Future já mostrou sua força: um dos primeiros alvos foi a campanha de Alex Bores, autor da lei de segurança de IA de Nova York, que perdeu a eleição primária no mês passado após a disputa receber US$ 27 milhões em gastos de grupos pró-indústria e pró-regulamentação.

Não é só a Guardrails Alliance que está contra-atacando. A Anthropic já havia colocado US$ 20 milhões no Super PAC Public First Action, que também defende salvaguardas para IA. Mas Thomas afirma que a Guardrails Alliance é única por representar um conjunto amplo de grupos de interesse, sem grandes doadores corporativos.

Um porta-voz da OpenAI apontou para um post de blog de junho afirmando que o envolvimento de Brockman com o Leading the Future é “em capacidade pessoal”, e que “os funcionários são livres para participar do processo político em suas capacidades pessoais”.

O que está em jogo

As doações dos funcionários expõem tensões internas na OpenAI sobre regulação de IA. Chris Lehane, chefe de assuntos globais da OpenAI, ajudou a criar o Leading the Future e assessorou Brockman em suas doações políticas, embora não esteja envolvido nas operações diárias do PAC.

A divergência entre a liderança da OpenAI — que apoiou um PAC anti-regulação — e seus próprios engenheiros — que agora financiam o outro lado — ilustra uma fratura que vai além da empresa: a indústria de IA não fala com uma só voz sobre regulação, e a batalha está se intensificando nas urnas americanas.


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